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Retrato do Marquês de Brandeburgo em 1705 | Pinrtura de Friedrich Wilhelm Weidemann | Fonte: Wikimedia Commons

05/07/2021

Os Concertos Brandeburgueses


Os Concertos Brandeburgueses são uma coleção de seis peças instrumentais que Johann Sebastian Bach dedicou em 1721 ao Marquês de Brandeburgo. Na sua variedade, são sucessivas demonstrações de destreza técnica e artística assinadas por um compositor «enorme».

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Brandeburgo é hoje um dos dezasseis estados federais da Alemanha. A cidade/estado de Berlim situa-se no seu coração e é administrativamente autónoma, o que não acontecia na primeira metade do século XVIII. Desde 1701, a região constituíra-se como Reino da Prússia no seio do Sacro Império Romano Germânico, entre um vasto conjunto de ducados e principados independentes. Nessa época, a partir de 1717, e durante seis anos, Johann Sebastian Bach foi Mestre de Capela da corte do príncipe Leopold de Cöthen, situada no estado vizinho da Alta Saxónia, cuja capital era a cidade de Madgeburgo.

Em 1719, o compositor deslocou-se a Berlim a fim de adquirir um novo cravo para a corte do príncipe, uma viagem de 120 quilómetros que demoraria dois dias a realizar em carruagem puxada por cavalos. Aproveitou então a ocasião para se apresentar a personalidades importantes, porventura buscando alternativa à sua posição em Cöthen. Um desses contactos foi o Margrave Christian Ludwig de Brandeburgo (O Marquês de Brandeburgo). Christian Ludwig era meio-irmão de Frederico I, que havia sido o primeiro rei da Prússia, até à sua morte, ocorrida poucos anos antes. O marquês solicitara-lhe composições suas, mas só passados dois anos o pedido foi satisfeito. A demora ter-se-á devido à conturbada vida pessoal que Bach atravessou naquele tempo – quando lhe morreu um filho, a primeira mulher e um irmão.

O caderno que chegou ao marquês foi cuidadosamente manuscrito pelo próprio compositor. Ao todo, reunia as partituras de seis concertos para formações variadas, como se se tratasse de demonstrações de competência junto do potencial patrono. Cada concerto tem, portanto, uma instrumentação diferente, sendo que nenhuma delas corresponde aos recursos existentes em Cöthen, ou sequer àqueles de que dispunha o dedicatário em Brandeburgo. Assim, eram agrupamentos inéditos, com partes solísticas destinadas aos mais diferentes instrumentos e que requeriam intérpretes virtuosos. Por não assumirem um propósito funcional imediato, resultam em exercícios de composição singulares.

Presume-se que estes concertos nunca tenham sido tocados em tempo de vida de Bach. Seriam, porventura, demasiadamente exigentes do ponto de vista técnico para os músicos que o marquês teria ao seu serviço. A compilação dos seis concertos permaneceu praticamente esquecida durante mais de um século. Só na década de 1830 os Concertos Brandeburgueses foram integralmente interpretados, no seu conjunto.

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