Conteúdos Pedagógicos (para professores)
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A Música Descreve
O termo «Música Descritiva» refere-se aqui à música instrumental que busca, de algum modo, evocar narrativas e imaginários que transcendem a dimensão puramente musical; tais como fenómenos da natureza, paisagens, personagens, acontecimentos ou sentimentos. Desse modo, o ouvinte consegue relacionar a música com múltiplos imaginários sem o recurso de representações figurativas ou literárias. É disso exemplo a «Música Programática», uma tendência criativa do romantismo europeu (século XIX) que produziu música ilustrativa de histórias, poemas, quadros, paisagens ou ideias. Historicamente, contrapõe-se-lhe a «Música Absoluta», a qual reclama a ideia de que só é possível à música significar-se a si mesma, e nada mais. Esta seria uma «música pura», imune à contaminação de imagens ou ideias concretas.
A Música Conta Histórias
Quando a música é cantada, tudo se torna mais explícito, pois as palavras significam coisas. Mas tratando-se de música instrumental já não é bem assim. Nesse caso, a música faz-nos lembrar narrativas por intermédio da qualidade dos sons, do modo como se sobrepõem e evoluem ao longo do tempo, sugerindo gestos, tensões, clímaxes e resoluções. As melodias, os ritmos, as harmonias e as variações de intensidade conseguem assim criar progressões e transformações que nos permitem imaginar acontecimentos e histórias contadas, mesmo que sem palavras ou personagens.
A Música Representa
A música instrumental assume conotações e significados quando se lhe reconhecem certos sentidos – os exemplos mais evidentes são os hinos nacionais. Mas quando isso não acontece, ela não perde a faculdade da representação, designadamente por intermédio de analogias corporais referentes a movimentos gestuais ou estados fisiológicos e sensoriais. Não o faz de maneira tão explícita como a literatura ou a pintura, mas antes através de metáforas. Quem ouve música associa-lhe dinâmicas, forças, tensões e posturas que espelham a experiência do próprio corpo e do mundo à volta. Quando dizemos que uma melodia sobe, desce, dança, balança… estamos a atribuir-lhe comportamentos que não acontecem na realidade. A partir daí, estabelecem-se associações que projetam objetos, narrativas, contextos, etc. Constroem-se infinitas metáforas baseadas em memórias e vivências que podem ser pessoais ou partilhadas em comunidade.
Os Sentimentos
Os sentimentos são experiências mentais conscientes baseadas nas emoções. Nesse sentido, a música é capaz de despertar sentimentos nos ouvintes. Por vezes, funciona como «banda sonora» da nossa imaginação e dos nossos estados de espírito. Outras vezes, convida à associação de certos padrões sonoros com reflexos das nossas vidas; tais como o medo, a alegria e a saudade. São, portanto, associações culturais e pessoais que fazemos. Mas são também analogias com comportamentos característicos da nossa voz e do nosso corpo.
Uma Linguagem Universal?
A expressão musical não é tão universal como se costuma dizer. Consoante as culturas e as épocas, os ouvintes podem interpretar distintamente as qualidades expressivas de uma música. Diferentes músicas – e diferentes estilos de música – despertam conotações culturalmente construídas. A familiaridade e a estranheza são determinantes.