Na Minha Mãe Ganso instalam-se quadros vivos em forma de som, com orquestrações delicadas. Os instrumentos libertam-se de si mesmos. Encarnam animais, cores, cheiros, lugares, estações do ano… histórias de encantar. O registo agudo da flauta contrasta com os pizzicatti nas violas d’arco e o uníssono das trompas, uma atmosfera tranquila que tão certeiramente ilustra a Pavana da Bela Adormecida. O solo do oboé sobressai sobre cordas abafadas pela surdina nos cenários bucólicos por onde O Pequeno Polegarzinho vagueia. O som velado das cordas sul tasto (longe do cavalete) sustenta os motivos pentatónicos que se precipitam nos tímpanos, nos xilofones e nos sopros – retrato sugestivo d’A Imperatriz dos Pagodes. O som cristalino do clarinete junta-se às cordas numa valsa que ilustra os encontros amorosos da Bela e do Monstro. Com parcimónia, articulam-se num jardim fantasioso a volutuosidade das cordas e breves apontamentos de sucessivos instrumentos. Um verdadeiro tratado de orquestração!
Maurice Ravel – Ma mère l’Oye (Minha Mãe Ganso), original para piano e transcrição para orquestra
Transcrição para Orquestra:
II. Petit Poucet (O Pequeno Polegarzinho)
Original para Piano:
Transcrição para Orquestra:
III. Laideronnette, impératrice des pagodes (Laideronnette, A Imperatriz dos Pagodes)
Original para Piano:
Transcrição para Orquestra:
IV. Les entretiens de la Belle et de la Bête (As Conversas da Bela e do Monstro)
Original para Piano:
Transcrição para Orquestra:
V. Le Jardin féerique (O Jardim Feérico)
Original para Piano:
Transcrição para Orquestra: