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O Concerto para Clarinete de Mozart

Só no final do século XVIII o clarinete começou a integrar com regularidade as orquestras. Para isso, muito contribuiu o surgimento de vários virtuosos do instrumento, naquela época. Em Viena, destacava-se o clarinetista Anton Stadler, para quem Mozart compôs o célebre Concerto em Lá Maior.

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À data, em 1791, nada semelhante havia sido antes feito no que respeita à utilização do clarinete numa partitura, designadamente no que respeita à exposição expressiva e ao virtuosismo técnico. O clarinete dava os primeiros passos no sentido do refinamento que hoje conhecemos. Só muito lentamente começava a tornar-se numa presença assídua na constituição das orquestras. A título de exemplo, dos vinte e sete concertos para piano e orquestra que Mozart escreveu, somente três contam com uma parte de clarinete, acontecendo algo semelhante com as sinfonias. 

Esta circunstância devia-se ao escasso conhecimento que os compositores tinham do instrumento, mas sobretudo à dificuldade em encontrar bons clarinetistas. Anton Stadler (1753-1812) era um deles. Foi para este músico que Mozart compôs o Quinteto para Clarinete e Cordas, em 1789, e o Concerto para Clarinete e Orquestra. Apesar de não ser considerada nos nossos dias uma obra extraordinariamente difícil, do ponto de vista técnico, conta-se seguramente entre as mais desafiantes para o solista, a quem é confiado todo o desenho da obra e exigida uma compreensão irrepreensível da dimensão estética e formal da partitura. 

Por ser a primeira grande obra-prima do repertório para clarinete, representa um momento marcante na história do instrumento. No primeiro andamento ouvem-se frases longas, instaladas com igual desenvoltura nos registos grave e agudo, em nítido contraste com a envolvente orquestral. No andamento lento apresenta-se uma melodia que é hoje bastante conhecida e que coloca à prova o talento lírico de qualquer clarinetista. Por fim, um animado Rondó que requer um domínio perfeito da embocadura. 

Este concerto foi escrito apenas dois meses antes da morte de Mozart e ilustra certeiramente a personalidade do compositor. Nele coexistem a alegria e a tristeza, o entusiasmo e a desolação.