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Johann Nepomuk Hummel em 1820 | Litografia a partir de retrato de Pierre Roche Vigneron | Fonte: BnF Gallica

15/06/2021

Pot-Pourri para Viola e Orquestra


A principal característica dos pot-pourri é a sucessão de melodias pré-existentes popularmente reconhecíveis. Em inícios do século XIX, era mais frequente serem tocados por um solista acompanhado ao piano. Mas no caso do Op. 94 de Johann Nepomuk Hummel o «acompanhamento» é confiado à orquestra. Data de 1820 e consiste no encadeamento de excertos de óperas de Mozart e Rossini.

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O Op. 94 de Hummel conhece-se hoje em duas versões: o Pot-pourri e a Fantasia. Em verdade, a Fantasia é uma versão encurtada do Pot-pourri. Só foi publicada postumamente, em 1900, e reduz a partitura em cerca de dois terços. É também a versão hoje em dia mais frequentemente tocada. Por sua vez, o original foi escrito para Anton Schmiedl, violetista da Orquestra Da Corte da Saxónia, em Dresden. Explorava as capacidades virtuosísticas deste músico e, pela sua espetacularidade, foi sucesso imediato. Após a morte do compositor permaneceu praticamente esquecida, até porque as conotações mundanas do formato pot-pourri não permitiam competir com o estatuto sério dos géneros Concerto e Sinfonia.

Hummel baseou-se em cinco melodias extraídas de óperas que eram bem conhecidas do público vienense naquela época e intercalou-as com transições absolutamente originais. Duas provêm de Don Giovanni, outras d’As Bodas de Figaro e d’O Rapto do Serralho, três óperas de Wolfgang Amadeus Mozart. A última melodia pertence a Tancredi de Gioachino Rossini. Trata-se, portanto, de um exercício híbrido de apropriação e recreação, algures situado entre a citação e a paráfrase. Resumidamente, podemos seguir o percurso da seguinte maneira. Após uma breve introdução orquestral, reconhecemos a ária «Il mio tesoro intanto», quando na segunda cena do 2.º Ato de Don Giovanni Ottavio jura vingança pela morte do pai de Donna Anna. Transição. Segue-se um secção com origem desconhecida, indicada no manuscrito como Boleros. Transição. Ouve-se então a célebre cavatina «Se vuol ballare signor Contino» em que Figaro também jura vingança, neste caso para com os planos perversos do Conde em relação a Susanna. Transição. Segue-se a ária d’O Rapto do Serralho, quando no primeiro ato Osmin também se expressa enraivecido e jura a morte de Pedrillo. Destaca-se depois uma fuga absolutamente original. Transição. Ainda d’O Rapto do Serralho, ouve-se no segundo ato a melodia «Ach Belmonte! ach mein Leben!», do fugaz reencontro dos pares amorosos. Transição. Por fim, «Di tanti palpiti», o recitativo e cavatina em que Tancredi expressa todo o seu sofrimento e a sua coragem.

 

Rui Campos Leitão

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