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Estátua de L. v. Beethoven colocada da Praça Beethoven em Viena | Escultura de Caspar von Zumbusch (1880) | Escultura de Carl Kundmann 1(872) | Fonte: Wikimedia Commons

04/07/2020

O Triplo Concerto de Beethoven


O Triplo Concerto é considerado por muitos como o «patinho feito» dos concertos de Beethoven, razão pela qual não é dos mais tocados. Na verdade, é uma obra repleta de subtilezas, sem a grandiosidade de outras que o músico alemão assinou pela mesma altura, mas que evidencia a força e a ambição próprias do seu estilo naquele período. É, para todos o efeitos, uma inquestionável demonstração da mestria por parte do compositor de Bona. 

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O Triplo Concerto de Beethoven foi estreado pelo próprio compositor na condição de solista, muito embora existam relatos que apontam a possibilidade de a parte de piano ter sido escrita para ser tocada pelo jovem arquiduque Rodolfo da Áustria. Terá acontecido em ambiente informal, no final de maio ou no princípio de junho de 1804, na residência de Príncipe Lobkowitz, um dos mais importantes mecenas de Beethoven. Nessa ocasião realizou-se igualmente a primeira leitura da Sinfonia Eroica. Como solistas, juntaram-se-lhe dois músicos do príncipe. Só em 1808 viria a ser tocado em público. 

Trata-se do único concerto que Beethoven escreveu para mais do que um solista, designadamente, para piano, violino e violoncelo. É datado de 1803 e obedece à convencional estrutura de três andamentos que caracteriza aquele formato musical. Distingue-se, porém, por ser um extraordinário exercício de escrita em que é dado relevo a cada um dos solistas sem, para isso, sacrificar a coerência da obra. Curiosamente, o piano nunca domina o conjunto dos solistas. No primeiro andamento é, inclusivamente, relegado para um segundo plano, face ao maior protagonismo das partes do violoncelo e do violino. O segundo andamento é relativamente curto, mas vincadamente expressivo. A orquestra tem aí uma função discreta, sobre uma cadência lenta, contrastando com o maior aparato dos restantes andamentos. Por fim, e sem interrupção, segue-se um Rondo alla polacca, com grande vivacidade e temas melódicos emprestados da música tradicional da Polónia. É então que as passagens virtuosísticas dos solistas surgem com maior esplendor. 

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