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07/10/2019

O Concerto para Violino de Stravinsky


Primeira gravação do Concerto para Violino de Stravinsky (1935) POLYDOR 78 RPM | Fonte: Youtube

No início de 1931, de passagem por Paris, Igor Stravinsky traçou os primeiros esboços do seu Concerto para Violino. Terá então tido conhecimento de que a empresa discográfica RCA Victor tinha anunciado recentemente nos E.U.A. a comercialização de um disco que era lido a uma velocidade de 33 rotações por minuto, de que resultava a capacidade de registar 30 minutos de música. Poderá não ter sido casual, portanto, a coincidência de o tempo somado do 1.º e 2.º andamentos, assim como do 3.º e 4.º, não ultrapassar os 15 minutos de cada face.

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Nesse período, por entre numerosas digressões enquanto pianista e maestro, o compositor russo tinha residência fixa na cidade de Nice. Foi aí que compôs grande parte do Concerto para Violino, o qual só terminaria já no verão de 1931, após mudar-se para a casa de campo que entretanto adquiriu perto de Grenoble. O músico projetava a sua carreira internacionalmente. Por isso, a obra foi estreada em outubro pela Orquestra da Rádio de Berlim, e três meses mais tarde interpretada nos E.U.A. pela Orquestra Sinfónica de Boston. Ainda assim, não vingou nas programações das salas de concerto nas décadas seguintes. Apesar de ter sido «projetada» para o novo formato da RCA, a gravação acabou por ser feita em Paris, em 1935, com o violinista Samuel Dushkin e a direção do próprio compositor à frente da Orquestra dos Concertos Lamoureux – afinal em 78 RPM, o que obrigava à repartição da obra por três discos.

É bem conhecido o contributo inestimável de Stravinsky para a História da Dança. Desta feita, porém, foi um bailado que reacendeu o interesse pela obra musical, quando em 1972 George Balanchine apresentou a coreografia intitulada Stravinsky Violin Concerto, uma verdadeira «visualização musical» da partitura. Há um aspeto que ajuda a explicar a circunstância de esta composição não ter sido tocada mais frequentemente antes disso. Com efeito, é extraordinariamente exigente para o solista, que praticamente não tem tempo para respirar ao longo de quatro andamentos repletos de uma musicalidade fisicamente extenuante. No que respeita ao violino, Stravinsky já tinha composto anteriormente algumas obras em que as partes de violino se destacam a solo, em particular nos quartetos de cordas, nalgumas passagens de Pulcinella e n’A história do Soldado. Nesta ocasião contou com a colaboração do já referido Samuel Dushkin, pois o compositor não dominava plenamente a técnica daquele instrumento. A este propósito, Stravinsky relata nas suas memórias o episódio em que consultou Paul Hindemith antes de iniciar o projeto. Questionava-se se seria possível compor um concerto sem que dominasse a técnica do instrumento solista. Hindemith respondeu-lhe que tal lhe permitiria evitar as figurações impostas por dedilhações de rotina. E seguiu em frente, desde logo com o acorde a que chamou «Passaporte», aquele que dá entrada para cada um dos quatro andamentos.

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