
O público está de volta às salas de espetáculos. Sábado, no Teatro Thalia, em Lisboa, e domingo, nas Caldas da Rainha, é tempo de matar saudades da música clássica ao vivo. E logo com Mozart e Haydn, em duas “obras maiores do Classicismo”, considera o maestro Pedro Amaral, também ele de regresso aos concertos com a OML.
A Orquestra Metropolitana de Lisboa apresenta este fim-de-semana o programa “Pour l’image” em dupla atuação. Sábado, no Teatro Thalia, em Lisboa, e domingo no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. Ambas as sessões decorrem às 11h00, com obras de Mozart (“Sinfonia n.º 31, Paris”), Philippe Hurel (“Pour l’image”) e Haydn (“Sinfonia n.º 102”).
Os dois concertos serão dirigidos pelo maestro Pedro Amaral, que assim regressa, quatro meses depois de ter deixado de ser Maestro Titular da OML e Diretor Artístico da Metropolitana. “É um grande prazer voltar a trabalhar com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, com a qual percorri os últimos oito anos. São músicos magníficos e, sobretudo, é uma grande equipa: conhecem-se perfeitamente, compreendem-se, respiram juntos, estão em grande forma”, afirma Pedro Amaral.
O maestro considera que “é notável a facilidade e a rapidez com que a orquestra consegue preparar o repertório mais exigente” e sublinha “a destreza com que absorve cada pormenor interpretativo, a atenção com que reage ao mais pequeno gesto do maestro”.
Quanto ao programa desta dupla apresentação, Pedro Amaral qualifica-o de “dialético”, porque nele “se confrontam não apenas estilos musicais historicamente muito distantes entre si, mas também diferentes fases na vida dos respetivos compositores”. “A abrir e a fechar o programa, iremos interpretar duas obras maiores do Classicismo musical, escritas por Haydn e Mozart no último quartel do século XVIII”, enumera. E explica: “A sinfonia que Mozart compõe para o Concert Spirituel é uma obra impetuosa e juvenil, na qual o compositor procura, por todos os meios, surpreender e agradar o público parisiense e uma sociedade que, no fundo, despreza.”
Já Haydn “escreveu a sua Sinfonia n. 102 por volta dos 62 anos de idade, em Londres, onde é recebido com veneração e coroado de glória, no auge de uma extraordinária carreira que o colocava, aos olhos dos seus contemporâneos, como o mais importante compositor do seu tempo”, prossegue o maestro.
Entre estas duas sinfonias, a OML interpretará a peça contemporânea “Pour l’image”, escrita pelo compositor francês Philippe Hurel no último quartel do século XX. “É uma página belíssima, de um compositor que emana parcialmente do Espectralismo – uma das mais importantes correntes estéticas que marcaram as últimas décadas do século, em particular em França”.

Tendo deixado as suas funções no final do ano passado, cedendo o seu lugar de Diretor Artístico ao Maestro Pedro Neves, Amaral aproveitou os últimos meses para “trabalhar muitíssimo”. “Na verdade, os meses de confinamento foram dos mais ativos da minha vida profissional”, sublinha. Dirigiu um concerto com a Orquestra do Conservatório de Milão, voltou às aulas na Universidade de Évora, e está a escrever uma peça sinfónica encomendada pela Casa da Música. Pelo meio, ainda houve tempo para manter as suas emissões na Antena 2.