Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização de acordo com a nossa Política de cookies.

concordo

Música e Ciência percorre mundo académico no ano do centenário de Iannis Xenakis

O compositor greco-francês, uma das grandes referências do século XX, é recordado a partir desta segunda-feira pela Metropolitana em cinco sessões, que contam com a presença do especialista Benoît Gibson.

Iannis Xenakis, nascido há 100 anos, revolucionou a música

A vida e a obra do compositor Iannis Xenakis, cujo centenário se assinala este ano, é o mote para o ciclo Música e Ciência, que decorre em cinco sessões, entre hoje e quarta-feira, em Évora, Beja, Tomar, Leiria e Lisboa.

Através de imagens e exemplos sonoros, esta conferência apresenta o compositor, a sua música, a sua relação com a arquitetura, a ciência e a matemática, e a forma como desenvolveu os conceitos de ritmo e de espaço na sua obra Persephassa (1969) para seis percussionistas.

Sob a batuta de Marco Fernandes, as Percussões da Metropolitana acompanharão com música a conferência de Benoît Gibson, doutorado em Música e Musicologia na École de Hautes Études en Sciences Sociales em Paris, e professor da Universidade de Évora.

“Iannis Xenakis teve uma importância muito significativa para a música, por ter concebido a sua obra com base em critérios que não pertenciam a uma tradição musical. Assim, livre de qualquer constrangimento e através da influência da ciência e da matemática, conseguiu imaginar e criar sonoridades e espaços sonoros inauditos”, explica-nos Benoît.

Para o especialista, autor de várias conferências e obra publicada sobre Xenakis, a obra “Persephassa explora, no domínio do tempo, a construção de ritmos a partir de uma aritmética modular, que Xenakis chama a Teoria dos crivos. Um outro conceito importante em Persephassa é o espaço. A colocação dos percussionistas à volta do público permite definir a trajetória dos sons e criar uma cinemática sonora”.

O ciclo Música e Ciência sobre o compositor grego, que nasceu na Roménia e se naturalizou francês, tem duas sessões esta segunda-feira, dia 14: às 11h00 no Colégio dos Leões da Universidade de Évora, e às 16h00, no Instituto Politécnico de Beja. Para terça-feira, está prevista mais uma sessão dupla: às 11h00 no Politécnico de Tomar e às 16h00, na Biblioteca José Saramago do Instituto Politécnico de Leiria. Por fim, na quarta-feira, a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa recebe, às 16h00, a quinta sessão desta conferência musicada.

“Além de ter a oportunidade de ouvir Persephassa ao vivo, espero dar a conhecer a música e o pensamento criativo do compositor Iannis Xenakis, mas também despertar no público o interesse pela música contemporânea”, explica o professor Benoît.

Para Marco Fernandes, quem assistir às conferências acompanhadas da música das Percussões da Metropolitana vai encontrar “seis músicos, 6 identidades, cada uma delas em diferentes estados de desenvolvimento, e que vão procurar decifrar todo o código inerente à complexidade e beleza da música de Iannis Xenakis”.

O projeto Música e Ciência é um caso de sucesso da Metropolitana há vários anos, porque alia a vertente pedagógica à criativa, os dois pilares essenciais da casa. “É vital para a estrutura da Metropolitana apostar na descentralização. Levar diferentes tipos de música aos mais diversos espaços culturais ou académicos é, na minha perspetiva, uma grande parte da nossa missão. É cada vez mais necessário formar público, descomplicar a escuta da música erudita e/ou criar uma ligação constante da população com as mais variadas formas de expressão artística”.

O compositor Iannis Xenakis (1922-2001) teve um percurso fora do comum. Em Atenas, além de ter tido aulas particulares de música, estudou engenharia, o que lhe proporcionou conhecimentos de matemática. Durante a guerra, participou na resistência contra a ocupação alemã e depois britânica, foi preso várias vezes, condenado, viveu na clandestinidade, e, em 1947, fugiu para França onde trabalhou durante doze anos com o arquiteto Le Corbusier.