O projeto Música e Ciência, uma parceria da AMEC Metropolitana e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, regressa esta terça-feira com o programa “Os Planetas”, a decorrer a partir das 14h30 no Grande Auditório da Faculdade de Ciências da Universidade da Beira Interior, na Covilhã.

O físico Carlos Fiolhais, professor da Universidade de Coimbra, é o conferencista convidado e que estará ao lado das Percussões da Metropolitana, que, sob direção musical de Marco Fernandes, interpretará seis andamentos da suite “Os Planetas”, Op. 32, de Gustav Holst.
Escrita durante a 1.ª Guerra Mundial, entre 1914 e 1916, esta suite aborda os 7 planetas do sistema solar conhecidos na época, além da Terra (Plutão, descoberto em 1930, foi planeta até 2006, quando foi relegado para planeta anão). A estreia da composição, para uma audiência privada, ocorreu em 29 de Setembro de 1918, no Queen’s Hall, em Londres, a lendária sala que haveria de ser destruída na 2.ª Guerra Mundial, mas a primeira execução pública foi há cem anos, em 27 de Fevereiro de 1919.
As composições de Holst, influenciadas por autores seus contemporâneos como Stravinsky e Schoenberg, são associados ao modernismo: Tal como as pinturas de Kandinsky, procuravam distanciar-se de formas clássicas de beleza. A harmonia é, nas peças de música modernistas, toldada pela dissonância, transmitindo emoções de um modo forte e por vezes surpreendente.
A abordagem musical de Holst aos planetas teve raízes na astrologia e não na astronomia. Segundo a astrologia, os planetas, que exercem supostas influências sobre os seres humanos, estão associados a certos traços psicológicos. A música procura ilustrar esses traços. O 1.º andamento é Marte, o “mensageiro da guerra”, o 2.º é Vénus, o “mensageiro da paz”, o 3.º Mercúrio, o “mensageiro alado”, o 4.º Júpiter, o “mensageiro da alegria”, o 5.º Saturno, o “mensageiro da velhice”, o 6.º Urano, o “mágico”, e o 7.º Neptuno, o “místico”.

O programa Música e Ciência foi lançado em 2017 com o objetivo de levar às universidades e politécnicos de Portugal a exploração das relações entre a música clássica e a ciência.
Depois desta terça-feira, o ciclo prossegue no dia 5 de março, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com o programa “A Construção Musical – Entre a arte e a ciência”. Pedro Amaral será o conferencista e a música ficará a cargo da Orquestra Metropolitana de Lisboa, com a Sinfonia n.º 7 de Beethoven.
A 24 de março há duas edições: “A Viagem Interplanetária”, no Instituto Politécnico de Viseu (16h00), com o Professor Alexandre Aibéo e a atuação das Percussões da Metropolitana, e “A Ciência nos Anos 1920”, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria (15h00). A Orquestra Metropolitana de Lisboa interpretará a Sinfonia n.º 2 de Luís de Freitas Branco, O nome do conferencista está ainda por designar.
“A Viagem Interplanetária” volta a fazer-se “ouvir” no dia seguinte, 25 de março, no Politécnico da Guarda, com o mesmo programa musical e conferencista.
