Conferência reúne especialistas internacionais de música e das artes performativas, numa organização da ANSO, que se estreia neste tipo de eventos.

Na Metropolitana convivem pedagogia e criação. Mas também reflexão. É essa, igualmente, a missão de um grupo que conta com três escolas — Conservatório da Metropolitana, Escola Profissional Metropolitana e Academia Nacional Superior de Orquestra — uma orquestra profissional, duas orquestras escolares e agrupamentos de música de câmara.
E é por isso que vários especialistas, portugueses e internacionais se reúnem hoje nas instalações da Metropolitana para a conferência “Higher music education, what’s next?”, com duas sessões de trabalho diferenciadas.
“Os estudos superiores artísticos merecem em Portugal uma atenção particular”, afirma o diretor executivo da Metropolitana. “Tratando-se de um universo em que teoria e prática convergem de uma forma específica e singular, e, sobretudo em que esta última tem uma preponderância incontornável em toda a estrutura pedagógica, é importante que a ANSO, como escola de referência, estimule o debate e a discussão entre estas duas dimensões”, acrescenta Miguel Honrado.
Yan Mikirtumov, presidente da direção da ANSO, afina pelo mesmo diapasão e sublinha “a grande importância para a escola de se posicionar na organização deste tipo de conferências. “O nosso objetivo — dizêmo-lo desde sempre — é fazer da ANSO uma academia de formação de nível europeu. E este é mais um passo nesse sentido”, sublinha.
O também diretor pedagógico da Metropolitana acrescenta que “no contexto da internacionalização da ANSO, reunir responsáveis internacionais e convidar escolas de todo o mundo a vir falar dos seus projetos é muito importante”.
Rui Mirra, professor e adjunto da direção da ANSO, concretiza. “Nas últimas décadas, a música enquanto atividade profissional, viu o seu paradigma permanentemente reformulado. No panorama musical atual, altamente integrado no paradigma digital, e um mercado de trabalho caracterizado pela pluriatividade e intermitência, a capacidade de adaptação (individual e institucional) acaba por se revelar um fator de contingência”.
Para o responsável, esta conferência visa “propiciar um local de partilha entre diferentes parceiros europeus no que concerne ao futuro do ensino superior em performance musical”.
“Teremos em regime presencial três projetos internacionais, representados pelos respetivos coordenadores (docentes do Conservatório Real de Bruxelas, Conservatório Real de Haia e Universidade de Aveiro), e remotamente, os coordenadores de outros dois projetos: Demusis(Sérvia) e FAST45 (Bélgica), explica Rui Mirra, que acrescenta que “será dada a oportunidade de apresentar os respetivos projetos e resultados já alcançados, bem como permitir um espaço para partilha e debate de ideias sobre o futuro do ensino/aprendizagem das artes performativas em geral, e da música em particular, no que concerne ao ensino superior”.
Na parte da tarde, e após o almoço, Yan Mikirtumov (ANSO), Samuel Rego (Escola Superior de Dança) e Paulo Morais Alexandre (Instituto Politécnico de Lisboa) vão, com moderação de Miguel Honrado, discutir os seus pontos de vista sobre o ensino das artes em Portugal, apontar problemas e projetar soluções.
A conferência tem início às 09.30.