Maestro da Orquestra Académica Metropolitana (OAM) há 25 anos, o francês Jean-Marc Burfin encara com “satisfação” e “sentido de dever cumprido” a “presença de muitos antigos estudantes nas orquestras profissionais em Portugal e no estrangeiro”. Esta sexta-feira e sábado, a OAM volta a atuar em Lisboa e Setúbal.

A Serenata Haffner, KV 250/248b, de Wolfgang Amadeus Mozart, e a Sinfonia Nº 100, Hob 1/100, de Joseph Haydn, são o mote para o programa “Sinfonia Militar” que a Orquestra Académica Metropolitana (OAM) interpreta esta sexta-feira, às 21h00, no Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, e no sábado, à mesma hora, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal.
O concerto, integrado na temporada da OAM, tem, desta vez, um aliciante extra: será dirigido pelo experiente maestro italiano Enrico Onofri. “A visão histórica e estilística das suas interpretações no repertório barroco e clássico proporciona uma experiência diferente e única aos alunos”, na opinião de Jean-Marc Burfin, que desde 1993 dirige a Académica.
“Tendo em conta a especificidade da OAM, instrumento pedagógico de formação, a colaboração do Maestro Onofri, bem como dos vários maestros que regeram a OAM nas últimas temporadas, é vista como um contributo importante para o crescimento artístico de futuros instrumentistas de orquestra”, conta ao site da Metropolitana.
Jean-Marc Burfin, que além de Maestro Titular da OAM, é professor de Direção de Orquestra desde o início da Academia Nacional Superior de Orquestra (ANSO), reconhece que a sua “evolução enquanto maestro e docente fica naturalmente associada ao desenvolvimento do projeto”.
“Ao longo dos anos, acompanhei muitos jovens talentos e é com satisfação e sentido de dever cumprido que constato a presença de muitos antigos estudantes nas orquestras profissionais, em Portugal e no estrangeiro”, sublinha.
O maestro francês, nascido em Paris em 1962, enaltece “o crescimento e a evolução que a Orquestra Académica Metropolitana” tem tido desde que foi criada, há um quarto de século. “Se compararmos com o tempo dos primeiros passos da nossa instituição, existem hoje mais oportunidades para um estudante adquirir experiências à margem do próprio curso académico (masterclasses, orquestras de jovens, estágios em orquestras profissionais…), o que contribui para uma aprendizagem mais sustentada”, afirma.
Burfin acredita que a existência de uma temporada autónoma da OAM, “cada vez com mais êxito”, tem contribuído para o crescimento do projeto. “O facto de tocarmos regularmente em salas com programação de excelência dá uma projeção e um reconhecimento merecidos ao nosso trabalho”.
O maestro elogia ainda a reunião frequente da Orquestra Académica com a Orquestra Metropolitana para “apresentações sinfónicas”. “Isso é altamente simbólico e representa o que mais identifica a natureza do projeto da Metropolitana”, afirma ao nosso site.
“A convivência entre orquestra profissional e orquestra académica, entre professores os seus estudantes, culmina com particular visibilidade nos concertos com as duas orquestras aglomeradas”, constata Jean-Marc Burfin, que acrescenta que “para o estudante, é um momento chave em que pode sentir-se premiado pelo seu empenho nos seus estudos”, até porque “tocar ao lado do professor aumenta o nível de responsabilidade”.
Por isso, não hesita em considerar que os alunos que integram hoje a OAM “saem mais preparados e informados sobre a realidade do mundo musical”. Ainda, Jean-Marc Burfin alerta para as “consequências nefastas”, nomeadamente “ao nível físico” do envolvimento “excessivo” dos jovens músicos em demais projetos.
E concretiza: “O músico é um atleta que deve aprender a gerir o seu corpo. O tempo livre, o espaço da reflexão sobre a nossa relação com a música também conta. Afinal, o que nos torna melhores músicos não está fora mas dentro de nós.”