O 10 de Junho vai ter uma noite especial no Centro Olga Cadaval, em Sintra. No dia em que o prestigiado Festival de Música abre as suas portas, a Orquestra Metropolitana celebra 29 anos. O concerto promete ficar na História.

A alemã Diana Damrau, um dos mais sonantes nomes da ópera mundial da atualidade, estreia-se na próxima quinta-feira em Portugal, num concerto que marca o arranque da 55.ª edição do Festival de Música de Sintra e o 29.º aniversário da Orquestra Metropolitana de Lisboa.
A “diva divina” como lhe chamou a televisão germânica ZDF, estará acompanhada pelo reputado baixo Nicolas Testé, num programa que percorrerá várias figuras régias da ópera do século XIX, intitulado “Reis e Rainhas” e que tem início às 21h00 no Centro Olga Cadaval, em Sintra.
O diretor executivo da Metropolitana antevê um “momento especialíssimo”, que se tornou possível dadas as boas relações entre a instituição e Gabriela Canavilhas, antiga presidente da Metropolitana, e atual diretora do Festival de Sintra. “Todas as cumplicidades e desafios são possíveis entre dois projetos referência, que norteiam a fruição da música clássica no nosso país. Para além do enorme orgulho que representa para a Metropolitana esta oportunidade, ela é igualmente a prova da excelência alcançada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, celebrando o 29º aniversário de um percurso que a tem elevado, e eleva, a contextos nacionais e internacionais de exceção”, afirma Miguel Honrado.
Também para o diretor artístico da Metropolitana, este encontro entre a OML e Diana Damrau é uma “honra”. “Podermos dividir o palco com uma das maiores intérpretes do canto lírico mundial eleva, e muito, a nossa expectativa”, admite Pedro Neves. O maestro saúda esta “dupla coincidência entre a abertura do Festival de Música de Sintra e o aniversário da Metropolitana”. “Será um concerto marcante para todos os espectadores, mas também para nós, músicos. Será algo fantástico”, considera o responsável.
Gabriela Canavilhas afina pelo mesmo diapasão. “Será um concerto inesquecível, certamente”. “Um repertório centrado no bel canto, um estilo de grande dramaticidade e efeito melódico e emotivo que exige uma entrega vocal total. O baixo Nicolas Testé é outro grande nome da cena operática mundial”, afirma a pianista, que acrescenta que “os duetos entre os ‘Reis e Rainhas’ sempre foram centrais na dramaturgia operática; no final, apesar de normalmente a rainha morrer assassinada ou por suicídio, são sempre as Rainhas as grandes vencedoras pelo carisma da personalidade feminina e pela imposição da sua vocalidade”.
A diretora do Festival de Música de Sintra recorda os cinco anos em que foi presidente da Metropolitana, entre 2003 e 2008, como “tempos muito exigentes”, porque a instituição estava “devastada financeira, artística e pedagogicamente”. “Foi necessário reconstruir tudo de novo, reformular a organização e reerguê-la, o que fizemos com a ajuda de todos na casa, músicos, professores, alunos, pais, financiadores. Foi extraordinário assistir a esse ressuscitar e ao engrandecimento artístico de uma casa maravilhosa que tem tudo para ser um sucesso: excelentes músicos e professores, espírito de grupo, dinâmica de futuro, juventude e capacidade de inovação”, sublinhou Canavilhas, que foi ministra da Cultura entre 2009 e 2011.
Com este concerto da próxima quinta-feira, a Metropolitana entra no seu 30.º ano de vida, um marco importante no percurso de qualquer instituição. Miguel Honrado lembra que “a vida das organizações culturais é feita de ciclos em que se interpreta e reinterpreta o sentido da sua missão”. “Sem este contínuo processo de questionamento, a criatividade, o desafio e a inovação deixam de se articular no âmago da sua atividade, resultando, não raras vezes, em decadência e irrelevância”.

Para o diretor executivo, “a Metropolitana está nos antípodas deste fenómeno”. “Esta é uma atividade que tem tanto de resiliente como de apaixonante. O conformismo e autocomplacência nunca fizeram parte da nossa linguagem, quer internamente, quer perante as diversas gerações de públicos com as quais consolidámos uma relação cúmplice, inovadora e exigente”.