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Suíte Checa

Antonín Dvořák era natural da Boémia, região da Europa Central com muita História e que coincide hoje com a metade ocidental da Chéquia. Precisamente, em 1879 compôs a Suíte Checa, juntando-se então a muitos outros compositores que, naquela época, recriavam melodias e ritmos provenientes de tradições culturais com vínculo identitário a territórios de pertença.

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A Suíte Checa ilustra exemplarmente a preocupação e interesse que muitos compositores têm por expressar nas suas criações a identidade e os afetos dos seus povos, contribuindo assim para moldar a consciência coletiva e a mentalidade distintivas de uma nação. A música coincide assim com afinidades estilísticas influenciadas por ideais históricos e políticos. Dvořák era um fervoroso adepto desta tendência. Herdeiro do legado de Bedřich Smetana, já havia composto em 1876 as Danças Eslavas, explicitamente conotadas com a cultura dos povos eslavos que habitaram aquela região desde finais do século V. A Suíte Checa foi estreada três anos mais tarde em Praga, num concerto organizado pela Associação de Jornalistas Checos. Foi precisamente a imprensa que atribuiu o título que hoje conhecemos.

Trata-se de uma suíte orquestral composta por cinco peças parcialmente inspiradas em estilos de dança. Começa, porém, com um prelúdio no qual é possível reconhecer o som das gaitas de foles daquela região. É uma melodia que aparece com recorrência nas partes seguintes. Depois, uma Polca, que foi uma das danças mais populares nos salões oitocentistas – normalmente, as polcas eram bastante mais animadas do que esta. A terceira peça é uma Sousedská, uma designação que pode traduzir-se como «A dança do vizinho». Esta é mais parecida com a típica valsa da Boémia. Surge então um romance onde sobressaem os instrumentos de sopro, talvez inspirado numa canção de embalar com tempo lento e pendor emocional. Por fim, uma música que espelha a animação e o fervor populares. É uma dança rápida com constantes mudanças de ritmo.

 

Rui Campos Leitão