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Sinfonia Concertante

Em 1947, George Balanchine coreografou a Sinfonia Concertante RV 364 de Mozart com a Ballet Society, em Nova Iorque. O virtuosismo técnico do ballet clássico contrastava com o apuro das melodias. Reforçava, porém, o confronto entre os dois solistas, como se se tratasse de uma conversa dançada.

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Mozart escreveu sete concertos para mais do que um instrumento solista à frente da orquestra. São as chamadas Sinfonias Concertantes. Esta terá sido escrita em 1779, à chegada de uma longa viagem que o levou a Mannheim e a Paris, entre 1777-1779. Nesta última cidade este formato, relativamente híbrido, estava muito na moda à época do Antigo Regime. Misturava características da Sinfonia e do Concerto Barroco, mas também do Divertimento e da Serenata. Mozart experimentava novas combinações instrumentais e, com isso, uma nova maneira de fazer e ouvir música, o que não demoraria muito para destoar do ambiente conservador de Salzburgo. Pouco tempo depois mudar-se-ia para Viena em busca de novas oportunidades profissionais.

Sem percussões, flautas ou clarinetes, divide o naipe das violas para obter uma orquestração mais dinâmica, e o andamento inicial assume proporções mais generosas do que aconteceria se se tratasse de um simples concerto. Tendencialmente, o violino teria maior protagonismo, mas tal também não acontece. Para esse efeito, optou por afinar a viola meio tom acima, de maneira a obter um timbre mais brilhante. Como na maior parte das composições de Mozart, abundam as ideias. Com os tradicionais três andamentos, apresenta uma orquestração brilhante em que as partes solistas sobressaem com naturalidade. Anunciava-se assim o primeiro período de maturidade do compositor austríaco.

 

Rui Campos Leitão