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Maria Teresa de Bourbon em 1790 / Pintura de Elisabeth Louise Vigée-LeBrun (1755–1842) / Fonte: Wikimedia Commons

10/10/2021

Septeto de Beethoven


No final de 1799, Ludwig van Beethoven dedicou um Septeto a Maria Teresa de Bourbon, Imperatriz Consorte do Sacro Império Romano-Germânico. A monarca tinha uma enigmática predileção por música com sete instrumentos, e isso foi certamente tido em atenção. Composta em pleno período de guerras napoleónicas, a obra foi estreada lado a lado com a 1.ª Sinfonia, numa altura em que o músico se dava a conhecer ao mundo.

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Maria Teresa de Bourbon, Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico por altura das guerras napoleónicas, é dedicatária do Septeto Op. 20 de Beethoven. Apesar de ter nascido em Nápoles, os seus gostos musicais estendiam-se à tradição musical vienense, facto a que não terá sido alheia a influência de sua mãe, a Arquiduquesa de Áustria Maria Carolina. Durante vários anos, manteve no Palácio Imperial de Hofburg, situado no coração de Viena, um núcleo de músicos profissionais que lhe permitia organizar momentos lúdicos muito apreciados pela elite aristocrática da cidade. Não se tratava de uma orquestra, pelo que o repertório consistia fundamentalmente em música de câmara. Circunstância curiosa, a Imperatriz mantinha na sua biblioteca uma inusual coleção de septetos, para formações diversas. Num período em que tal não era comum, a monarca teria uma enigmática predileção por música com sete instrumentos.

Beethoven terá certamente tido isso em consideração quando escreveu esta obra. Ao violino e ao clarinete, que assumem aqui particular protagonismo, juntou um fagote, uma trompa, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo. À boa maneira de um divertimento, organizou-se em seis andamentos. Aos quatro andamentos do formato clássico mais convencional, acrescentou um andante, na forma de tema e variações, e um scherzo. Era assim evidente que se tratava de uma composição que se pretendia agradável e despretensiosa, de maneira a proporcionar um momento de convivência prazenteiro. A grande popularidade que veio a ter nos anos subsequentes viriam a comprová-lo.

Composta no final de 1799, só foi estreada publicamente em 2 de abril de 1800, num concerto em benefício do próprio compositor, realizado no Burgtheater, o teatro que ficava colado ao palácio. Nesse mesmo concerto foi também estreada a 1.ª Sinfonia. Quando Beethoven já havia conquistado o reconhecimento da sociedade vienense – como o comprova a presente dedicatória –, quando Beethoven tomava consciência da gravidade dos problemas auditivos que iria enfrentar, este septeto marca um momento de viragem na sua carreira. Daí em diante, ir-se-ia revelar um homem diferente.

 

Rui Campos Leitão