Para lá de ser uma das criações mais originais de Robert Schumann, a Quarta Sinfonia é também uma das mais deslumbrantes do repertório romântico. Situa-se a meio caminho entre a herança clássica e os grandes sinfonistas de finais de oitocentos. Revolucionária na sua construção, está carregada de dramatismo, melodias amplas e uma sentida expressão dos afetos. Também se distingue pela orquestração, a qual assume um protagonismo invulgar. Na versão original, datada de 1841, a sonoridade não era tão densa como na versão que agora ouvimos, fruto de uma revisão do próprio compositor concluída em 1851 e estreada dois anos mais tarde. A orquestração de Schumann explora com mestria as grandes massas sonoras, o trabalho meticuloso na combinação dos timbres instrumentais, a articulação das intensidades e das tensões harmónicas.
Rui Campos Leitão