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O Rufar dos Tambores

Há várias sinfonias em que os tímpanos têm especial protagonismo. São os casos da Sinfonia Coral de Beethoven, da Sinfonia Titã de Mahler e da Sinfonia Leningrado de Schostakovich. Recuados ao século XVIII, e para lá das cerimónias militares, era menos frequente os compositores fazerem essa aposta. O exemplo mais notório é o checo Jiří Družecký. Mas também Joseph Haydn, cuja Sinfonia N.º 103 tem como cognome O Rufar dos Tambores.

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Esta sinfonia de Haydn é conhecida pelo nome O Rufar dos Tambores devido ao misterioso solo de tímpano que abre o primeiro andamento. Pouco se sabe sobre a intenção do compositor, sequer se pretendia marcar com grande impacto o início ou se se limitava a um pequeno apontamento sonoro inicial. Segue-se depois um tema melódico nos instrumentos graves que aparece e reaparece ao longo de toda a sinfonia sem corresponder linearmente com as convenções da sinfonia clássica. Esta é, por isso, uma das mais enigmáticas sinfonias do século XVIII.

Ainda assim, apesar da complexidade destes procedimentos, a obra destinava-se ao entretenimento do público londrino por ocasião da temporada de concertos de 1794-95, na segunda visita de Haydn àquela cidade. Trata-se da penúltima sinfonia do músico austríaco. No segundo andamento escuta-se uma melodia extremamente simples, de caráter popular, à qual se junta uma outra para serem desenvolvidas na forma de tema e variações, surgindo aí destacados os vários naipes da orquestra. Já no terceiro surgem salientes, por entre a cadência marcada do Minueto, as partes das madeiras. Manifesta-se assim toda a mestria de um compositor com grande experiência. No Finale, um simples tema serve toda a construção musical onde, uma vez mais, os tímpanos se apresentam com grande preponderância.

 

Rui Campos Leitão