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Robert Schumann em 1839 | Fonte: Wikimedia Commons

10/10/2020

O Primeiro Quinteto com Piano


O Quinteto com Piano de Schumann data de 1842, ano em que o compositor dedicou bastante do seu trabalho à música de câmara. É geralmente apontado como o seu mais importante contributo para o repertório camerístico, também porque foi a primeira obra expressamente escrita para esta formação. Assemelha-se, ainda assim, em certas passagens, a um concerto para piano em que o quarteto de cordas toma o lugar da orquestra.

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Ao juntar o piano e o quarteto de cordas, Robert Schumann reuniu no seu Op. 44 os dispositivos instrumentais que naquele tempo ofereciam aos compositores os melhores recursos técnicos e expressivos, em particular no domínio da música de câmara. É de assinalar que se trata da primeira composição existente para esta formação, a qual seria exemplo para figuras como Johannes Brahms, Antonín Dvořák, Gabriel Fauré ou Dmitri Schostakovich. Em grande medida, tal proporcionou-se em virtude das novas técnicas que haviam sido recentemente introduzidas na construção de pianos. Desde logo pela maior amplitude sonora, o que contribuiu para a dimensão (quase) sinfónica desde quinteto, pensada para concertos públicos, e não para o recato dos salões privados. Por outro lado, os mecanismos dos pedais permitiam ao piano dialogar de igual para igual com os violinos, a viola d’arco e o violoncelo também na vertente do fraseio melódico.

A partitura é dedicada a Clara Schumann, quem, para lá de ter sido uma extraordinária pianista, foi a mulher com quem casou dois anos antes. Isso justifica, em parte, a proeminência que o piano assume. Ainda assim, entrelaçam-se combinações diversas, tais como a solenidade dos uníssonos que surgem nos primeiros compassos, os apontamentos que as cordas acrescentam nas entrelinhas da parte de piano, ou o modo como esta antecipa em vários momentos ideias melódicas que são de seguida exploradas pelas cordas. Uma extraordinária profusão de ideias atravessa ambientes e sugestões dramáticas. Numa perspetiva narrativa, o primeiro andamento justapõe a robustez afirmativa e o delicado lirismo nos contornos de um mesmo tema melódico. A espontaneidade e a prontidão parecem guiar o compositor nessas primeiras páginas. Já o segundo andamento, distingue-se pela sugestão fúnebre de um ritmo cadenciado que parece evocar uma experiência trágica, mas que não disfarça uma ponta de ironia. Os ânimos mais fervorosos são retomados no andamento seguinte, onde ressalta a boa disposição. Por fim, discorrem emoções, numa forma Sonata-Rondó combinada com técnicas contrapontísticas, tais como o cânone e a fuga. Em jeito conclusivo, na coda, recordam-se ideias do primeiro andamento.

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