As Folk Songs foram originalmente escritas para voz solista e agrupamento de câmara. Mais tarde, o próprio Luciano Berio destacou e estendeu as partes instrumentais para o formato orquestral. Na origem, são transcrições de melodias com proveniências muito diversas: Estados Unidos da América, Arménia, França, Sicília, Sardenha, Azerbeijão e Itália. Neste último caso, trata-se de melodias de cariz tradicional escritas em 1949 pelo próprio compositor para aquela que veio a ser sua mulher. Foi, aliás, para a voz de Cathy Berberian que todas estas canções foram pensadas.
Black is the Colour e I Wonder as I Wander são temas norte-americanos. O segundo foi composto por John Jacob Niles, um dos mais importantes revivalistas da música tradicional daquele país no século XX. Loosin Yelav fala do movimento da lua e é um tema oriundo da Arménia, país onde haviam nascido os pais de Cathy Berberian. Já Rossignolet du bois é um tema de origem francesa em que um homem apaixonado pergunta a um rouxinol sobre o amor. A la femminisca provém da Sicília e remete para as orações femininas em favor do bom regresso dos seus maridos, pescadores, do mar. La donna ideale é uma melodia original de Berio inspirada num poema antigo genovês. Ballo, também de Berio, fala sobre o poder do amor. Por seu turno, o Motettu de Tristura é da Sardenha. Desta vez é pedido ao rouxinol para cantar a morte de quem amou. Outras duas canções são também provenientes da França, mais concretamente da região de Auvergne: Malurous qu’o une fenno e Lo fiolaire. Estas têm um registo humorístico, lamentando por um lado aqueles homens que gostariam de ter uma mulher e não a têm, e por outro aqueles que a têm e gostariam de não ter. Por fim, uma canção de amor do Azerbeijão transcrita pela própria Cathy Berberian a partir de uma gravação.
Rui Campos Leitão
Imagem: Luciano Berio em 1970 / Fonte: Wikimedia Commons