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Concerto para Flauta N.º 1 de Mozart

O Concerto para Flauta N.º 1 de Wolfgang Amadeus Mozart  foi composto em 1788. É exemplo da elegância e sobriedade do estilo clássico setecentista, mas também prenúncio do romantismo que se aproximava. São três andamentos plenos de jovialidade e lirismo. Termina com um Minueto de belíssimo efeito.

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Em 1777 Mozart decidiu uma vez mais sair de Salzburgo, dessa vez para viajar até à cidade alemã de Mannheim, onde estava então sediada a melhor orquestra da época, constituída por um conjunto de músicos cuja qualidade permitia implementar as mais modernas técnicas de escrita orquestrais. Apesar disso, a composição deste concerto foi motivada por uma encomenda muito particular, e não pelo exclusivo entusiasmo artístico que a convivência com aquela orquestra decerto lhe terá despertado. O Concerto para Flauta N.º 1 foi escrito para um abastado flautista amador de nacionalidade holandesa, Ferdinand de Jean. Apesar das limitações técnicas impostas por esse condicionamento, às quais se juntava o facto de na altura a flauta ainda não dispor dos recursos mecânicos que lhe conhecemos hoje, é uma obra atravessada por um grande brilhantismo instrumental.

Este concerto apresenta várias características interessantes. Naquela época, o formato Concerto servia mais frequentemente para o solista brilhar, exibindo a sua destreza técnica e expressiva. O virtuosismo sobrepunha-se assim à obtenção de um resultado artístico estruturado na relação articulada entre o solista e a orquestra. Este concerto não deixa de ter passagens difíceis, mas nele prevalece a fluência melódica e o diálogo com os diferentes naipes. Não se pressente qualquer automatismo na sucessão dos eventos. As ideias são apresentadas e desenvolvidas com naturalidade, no tempo próprio. Para lá disso, são respeitadas as características do instrumento, procurando explorar fraseios e ritmos confortáveis. A respiração do músico nunca é contrariada. Em vez disso, coloca-se ao serviço da expressão musical.

 

Rui Campos Leitão