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Por vezes, a contemplação musical exige algum desprendimento e uma atenção liberta de expectativas funcionais, sejam a dança, o entretenimento, os manifestos identitários ou quaisquer outras. Nunca é, porém, um estado passivo. Pode até considerar-se uma forma de escuta audaciosa, quase ritual, pelo modo como se dispõe a atravessar territórios de passagem entre sentidos e a experimentar processos de autotransformação. Há então lugar para silêncios, suspensões, ornamentos encantatórios e gestos inconsequentes. Vem isto a propósito da música de Claude Debussy e de Tōru Takemitsu. Syrinx é uma curta peça para flauta solo que teve origem, em 1913, numa peça teatral que se inscreve na atmosfera sensual e melancólica do mito de Pã. Já em 1992, Takemitsu baseou-se num poema de Emily Dickinson: «Soava como chuva, até se encurvar. Então percebi que era vento.» Por fim, uma das três derradeiras sonatas de Debussy: texturas sonoras etéreas com reminiscências orientais.
Contemplativo
Domingo, 1 de novembro, 17h00, Igreja Paroquial de Santa Engrácia
Solistas da Metropolitana
C. Debussy Syrinx
T. Takemitsu And Then I Knew ‘Twas Wind
C. Debussy Sonata para Flauta, Viola e Harpa
Nuno Inácio flauta
Leonor Fleming viola
Ana Aroso harpa
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