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Violino de Ana Pereira sob a batuta de Michael Zilm na Páscoa da Orquestra Metropolitana de Lisboa

Publicado a 12 de Abril 2022

Concerto da Paixão decorre esta quinta-feira, às 19h00, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, e marca o regresso a Portugal do maestro alemão.

O que têm em comum três compositores tão diferentes e temporalmente distantes como Haydn, Brahms e Martin? Os três representam, à sua maneira, o sofrimento de Cristo na cruz e a espiritualidade da Semana Santa que estamos a viver. É este o mote para o Concerto da Paixão, que a Orquestra Metropolitana de Lisboa leva a palco esta quinta-feira, às 19h00, no Grande Auditório do CCB.

Dirigido pelo maestro Michael Zilm, e com o violino da solista Ana Pereira, a OML interpretará Sinfonia N.º 49, La Passione, de J. Haydn, Políptico, para violino solo e duas pequenas orquestras de cordas, de Frank Martin, e Onze Prelúdios-Corais (orq. Henk de Vlieger), de J. Brahms. 

“As três obras têm sempre alguma conotação à Semana Santa, seja ela pelo carácter da obra, seja pela contextualização na época”, afirma Ana Pereira. No entanto, segundo a violinista, “aquela que ilustra a paixão de Cristo e o sofrimento na sua Via Sacra é mesmo a obra de Frank Martin”.

“Em seis andamentos, descreve através da música, eventos da Semana Santa, desde o Domingo de Ramos à Glorificação de Jesus, passando pela última ceia, a traição de judas, o jardim das Oliveiras e julgamento de Jesus”, enumera. 

Frank Martin, diz Ana Pereira, “dá ao violino a difícil tarefa de representar Jesus e através de andamentos agitados e temas lamentosos, descreve toda a dor pela qual teve que passar”.

Contrastes musicais

Para o maestro Michael Zilm, a peça de Martin “é muito entusiasmante”. “Conheci-a há muito pouco tempo”, admite. “É uma suite em seis andamentos. O primeiro será a multidão a receber Jesus. Um Jesus muito sereno. O segundo andamento será a Última Ceia – as perguntas, as respostas. Isto dá-nos, portanto, algumas pistas”, afirma à Metropolitana.

O maestro sublinha que a peça é “muito contrastante”. “Um primeiro andamento muito difícil, o segundo andamento meditativo, muito bonito. E o terceiro andamento, a peça de Judas, muito exigente – muito arrítmico, sempre em septinas – bastante complicado. 

Depois, o Julgamento é outra vez um grande contraste, muito ao estilo de Bartók, muito dinâmico”.

Para o maestro alemão, que quinta-feira dirigirá a Orquestra Metropolitana de Lisboa, “o ponto mais interessante em Martin foi que ele deixou de fora a Crucificação”. “Talvez tenha sentido que, depois de Bach, não haveria como fazê-lo. Ou talvez, que esta passagem devesse ser um silêncio. Portanto, vai para a Glorificação – que na verdade não faz parte da Paixão. Mas também não é celebrativo. É uma escala Pentatónica, tem muito de Messiaen, cores, mas não é muito efusiva. É um final positivo para a peça. É uma belíssima peça de concerto”.

O maestro, presença regular em Portugal, afirma que La Passione, a obra de Haydn que será tocada no CCB, “é uma sinfonia com enormes contrastes, mas ao mesmo tempo é uma sinfonia que está totalmente ligada pela tonalidade. Todos os andamentos são tocados na mesma tonalidade, Fá Menor”.

“E isto é único nas sinfonias de Haydn, penso eu. Embora o caráter mude totalmente – inicia-se com um grande lamento. No segundo andamento temos puro furor. Depois, tem um Minuetto, uma canção triste, porque também está em Fá Menor.

A única parte que está em tom maior é o Trio.  Mas esta é para mim também uma espécie de nostalgia, uma espécie de mémoire, que não está realmente lá. O último movimento é fugitivo, algo mecânico”.

A mestria de Zilm

Michael Zilm

O reencontro com o maestro Zilm é “especial” para Ana Pereira. “Enquanto músico da orquestra é sempre maravilhoso. E enquanto solista, é mais um desafio que abraço sempre com muita vontade”, diz.

“Zilm sempre foi um maestro que nos habituou à sua mestria e exigência. Desta vez não será diferente: tem tudo pensado, inclusivé a implantação em palco. Para o maestro Zilm, o concerto é um espetáculo contínuo, desde o primeiro momento que pisamos o palco até ao último aplauso. Como tal, tem tudo pensado ao pormenor. Desta vez, é através da sua condução e da excelência da Orquestra Metropolitana, que nos levará a viver a Paixão de Cristo, nas obras de Brahms, Haydn e Martin”.