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“A EPM é uma referência no ensino da música em Portugal e queremos reforçar esse estatuto”

Entrevista aos novos diretores pedagógicos da Escola Profissional da Metropolitana (EPM), Tânia Cerqueira e Lino Guerreiro

No arranque de um ano letivo especial, em que a ameaça da Covid-19 continua a pairar por todo o mundo, a Escola Profissional da Metropolitana (EPM) quer manter a exigência alta no regresso a uma certa normalidade. O reforço da segurança, as aulas presenciais, a excelência do ensino e a formação em contexto de trabalho numa entrevista com os novos diretores pedagógicos da EPM, Lino Guerreiro e Tânia Cerqueira.

Por causa da pandemia, estamos a iniciar um ano letivo muito desafiante para todos: alunos, professores e escola. De que forma é que foi preparado este ano por parte da direção pedagógica da EPM?

Tânia Cerqueira (TC) – Está a ser isso mesmo, um grande desafio. Foi um trabalho intenso, e continua a ser, aliás, porque este trabalho nunca está concluído. Temos de fazer tudo o que é necessário para que os alunos possam estar em segurança na escola. E para que as famílias também se sintam descansadas.

Neste contexto, a segurança é mesmo a principal preocupação…

Lino Guerreiro (LG) – Sim, é. Mas, ao mesmo tempo, temos todos de fazer um esforço para que este ano letivo seja o mais normal possível, para que os alunos consigam ter um regresso à normalidade, que é ter um ensino presencial, apesar de todas estas limitações.

Na prática, o que significa a relativa normalidade?

LG – A ideia dessa normalidade é que ela seja o mais próxima possível da que vivemos todos nos anos anteriores, antes da Covid 19 chegar às nossas vidas. Mas temos sempre aqui esta incerteza de não sabermos o que vai acontecer. No fundo, o importante foi acolhermos as instruções que nos foram dadas pelas entidades competentes.

TC – O que é fundamental dizer aos encarregados de educação é que da parte da EPM houve um grande investimento na proteção da comunidade escolar. Tudo o que vai acontecer dentro da escola tem de ser feito na mais absoluta segurança.

Neste arranque de ano letivo, a direção tem falado com encarregados de educação, seguramente. Qual é o ambiente?

TC – Eu acho que é comum ao ambiente letivo em todas as escolas. Alunos com muita vontade de regressar à escola e ao ensino presencial e encarregados de educação a revelar alguma preocupação. É assim em todo o lado, arrisco a dizer em todo o mundo. Recebemos alguns contactos a manifestar essa preocupação, coisa que nos parece perfeitamente natural.

A música tem esta especificidade própria: os alunos podem e devem trabalhar em casa, mas isso não substitui a aula presencial.

TC – Não, não substitui. Há sempre um Plano B, claro. Tem de haver, está previsto, mas a verdade é que um não substitui o outro. É apenas uma alternativa para, se houver necessidade, avançar. E isso significará voltar ao ensino à distância em algum momento do ano letivo, se a situação se justificar.

LG – A prática simulada em casa nunca é a mesma coisa do que estar num espaço físico a tocar e a partilhar essa experiência com colegas e professores.

Do ponto de vista pessoal, esta experiência foi também um desafio para vocês, que assumem a direção pedagógica da EPM num momento particularmente delicado…

LG – Sim, sim. Foi uma decisão muito ponderada. A Escola Profissional Metropolitana tem vindo a fazer um trabalho de excelência com os alunos. Dar sequência a esse trabalho, que foi dirigido nos últimos anos pelo Carlos Simão e pela Iva Barbosa, já era de si muito exigente. Essa exigência e desafio aumentam com este contexto em que estamos. Do meu ponto de vista, foi uma decisão muito refletida.

Este convite que receberam foi uma surpresa?

TC – Foi, foi. Não estava à espera e foi muito pensado. A pandemia é um desafio para todos. Obriga-nos a pensar e a procurar novas soluções.

A EPM lida com alunos de várias idades e níveis de escolaridade. Como é que avaliam o trabalho que tem vindo a ser feito?

TC – A EPM está numa posição de destaque no ensino da música em Portugal. É uma referência e queremos que assim continue. O nosso objetivo, enquanto direção pedagógica, é manter esse nível e contribuir para que os nossos alunos se destaquem dentro e fora do país com a sua formação de excelência.

De resto, uma excelência que foi reconhecida em julho, quando recebeu o Selo de Qualidade Europeia da EQAVET. Isso aumenta a responsabilidade?

LG – A nossa responsabilidade é sempre grande e não fazemos depender a excelência do nosso ensino de prémios ou reconhecimentos, mas é evidente que uma distinção desta natureza é um reflexo da nossa qualidade. E é mais uma marca associada à EPM. Os nossos alunos e os seus encarregados de educação sabem que podem contar com o nosso ensino. E temos de saber estar à altura desse nível e continuar a trabalhar para melhorarmos onde for possível melhorar.

Há muita gente que, quando ouve falar da Metropolitana, pensa automaticamente na orquestra. É verdade, ela existe, mas há aqui na casa três escolas: o Conservatório de Música da Metropolitana, a Escola Profissional da Metropolitana e a Academia Nacional Superior de Orquestra. E no caso da EPM não se ensina só música…

TC – O ensino profissional em Portugal tem essas componentes. No caso da música, para lá de todas as disciplinas ligadas à componente artística, estes alunos têm também aqui na Metropolitana todas as disciplinas da sua formação geral. Eles não vêm cá só para ter aulas de música. Toda a formação deles é feita aqui na escola, com horários completos.

Para deixar bem claro, algumas das disciplinas que os alunos da EPM têm aqui são idênticas às disciplinas que os seus amigos têm nas escolas regulares…

TC – Precisamente. Têm Português, Matemática, Inglês e por aí fora. Têm a sua formação completa, não têm de frequentar outra escola.

Quantos alunos temos este ano?

LG – Centro e trinta. São nove turmas: três do Ensino Básico (7.º, 8.º e 9.º) e seis do Ensino Secundário (10.º, 11.º e 12.º).

Este contexto pandémico em que vivemos não é só um desafio para os alunos. Também é para os professores. Como é que se prepara um ano assim?

LG – Isto não é absolutamente novo porque já vivemos este cenário no final do ano letivo passado. Foi uma experiência nova para todos nós. Creio que é mais complicado na parte artística, porque, como a Tânia já disse, estar a tocar em sala de aula com colegas e professores, é muito diferente do que estar à distância. Alguns dos nossos professores manifestam maior preocupação em relação a isso, à possibilidade de voltarmos a ensinar à distância. Para outros será um pouco mais tranquilo.

TC – Este ano está previsto termos em simultâneo o ensino presencial aqui e o acompanhamento à distância. Ou seja, a qualquer momento, estamos preparados para isso. E isso é muito positivo. Porque em caso de necessidade, esse trabalho já está feito.

Uma das mais-valias deste projeto é a capacidade de os alunos aprenderem nas aulas e poderem experienciar ao vivo o que aprenderam, tocando nas orquestras.

TC – Essa parte da componente de formação em contexto de trabalho, que é assim que se chama, é uma componente fortíssima dos cursos profissionais, em que os alunos são colocados em situações específicas de contexto profissional. E têm oportunidade de ter essas experiências ao longo da sua formação. Aqui na Metropolitana temos uma parceria muito interessante com a OML, em que os nossos alunos do 10.º, 11.º e 12.º ano fazem uma participação com eles, tocam um programa com eles.

Isso é altamente motivador…

LG – Sim, claro. É uma experiência única para eles, porque vão tocar com músicos profissionais. E é uma especificidade desta casa. Uma marca de diferença. E nós queremos aprofundar isso ainda mais. Aliás, posso dizer-lhe que um dos nossos objetivos é, para além da relação com a OML, reforçar a ligação ao meio profissional fora desta casa, ou seja, queremos que os alunos tenham oportunidade de trabalhar do ponto de vista artístico com outras instituições, nomeadamente outras orquestras ou bandas militares.

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