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Igor Stravinsky em 1921 | Fonte: Wikimedia Commons

09/10/2020

Suítes para Pequena Orquestra


No final da Primeira Grande Guerra Igor Stravinsky regressou a Paris, depois de passar cinco anos na Suíça na companhia da sua família. Trazia consigo oito pequenas peças para piano que não tardaram em transformar-se em duas suítes para pequena orquestra. São preciosos testemunhos de bom humor com origem em tempos conturbados. O músico preferia dialogar com a música antiga e com as suas boas memórias, na vez das primeiras páginas dos jornais que lhe chegavam.

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Stravinsky nasceu na Rússia, perto de São Petersburgo, mas viveu toda a vida em países do ocidente. Foi um compositor cosmopolita que gozou de reconhecimento generalizado ao longo de quase toda a carreira. Depois de um início fulgurante em Paris, junto dos Ballets Russes, exilou-se na Suíça, durante a Primeira Grande Guerra. Foi aí que compôs dois conjuntos de peças para piano a quatro mãos com fins pedagógicos, primeiramente destinadas a músicos amadores e jovens estudantes. Em princípio, não teriam passado de oito composições de circunstância, destinadas a um circuito restrito de interessados. Mas já então seria possível nelas identificar prenúncios do período neoclássico do compositor, para lá de outras curiosidades interessantes. Como exemplos, a Polca era uma caricatura musical simpática da figura de Sergei Diaghilev, assim transfigurado em mestre de cerimónias de um espetáculo circense. Por sua vez, a Valsa era uma homenagem a Erik Satie, enquanto o Galope recordava os ambientes das casas noturnas de São Petersburgo.

Por fim, Stravinsky adaptou-as para orquestra de câmara e garantiu-lhes a projeção que mereciam. A Suíte N.º 2 foi orquestrada já depois do seu regresso à cidade das luzes, no início da década de 1920. Destinava-se a um teatro de Music Hall, como complemento musical dos diferentes números de variedades que subiam ao palco. Neste contexto, o efetivo de músicos era naturalmente reduzido, pelo que foi pensada para uma pequena orquestra. Ia assim ao encontro da ambiência dos loucos anos vinte, irradiando bom humor e irreverência, sem disfarçar uma disposição mundana condizente. Em 1925 orquestrou a Suíte N.º 1, com uma roupagem instrumental igualmente caricatural, desta vez endereçada às «antigas» marchas, valsas, polcas e galopes.

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