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Franz Schubert (1828), Litografia de Feltscher | Fonte: BnF Gallica

02/06/2021

Schubert À Italiana


Franz Schubert compôs duas aberturas orquestrais «ao estilo italiano» no final de 1817. Nessa altura encontrava-se a meio da composição da Sinfonia N.º 6, enquanto «lá fora» as óperas de Rossini seduziam o público de Viena, numa vaga de popularidade semelhança àquela que invadia toda a Europa. Não por acaso, a primeira daquelas aberturas, na tonalidade de Ré Maior, cita uma melodia da ópera Tancredi do compositor italiano, «Di tanti palpiti». 

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A partir de 1816 as óperas de Gioachino Rossini foram recebidas em Viena com tal entusiasmo que o compositor se mudou para aquela cidade em 1822. L’inganno felice e Tancredi foram as primeiras a serem ali representadas. L’italiana in Algeri e Ciro in Babilonia subiram à cena em 1817… e por aí fora. Muito embora Franz Schubert admirasse o talento de Rossini, tão grande êxito levou-o a refletir sobre a modesta popularidade da sua própria música, tanto mais porque enfrentava à época a adversidade de ter perdido o apoio logístico do seu amigo Franz von Schober, o que vinha permitindo adiar a carreira de professor que lhe estava vaticinada. Resolveu então compor duas aberturas de ópera «ao estilo italiano». Não se tratava de manifestos musicais ou caricaturas. Traduzia, ainda assim, a frustração pessoal que resultava da circunstância de os seus lieder e de as suas sinfonias não conseguirem vingar nos concertos públicos de Viena, ao passo que a ópera italiana era passaporte garantido para a fama imediata. O compositor provava a si mesmo que dominava, também ele, aquele tipo de recursos. Das duas aberturas, a segunda, em Dó Maior, D. 591, tornou-se a mais conhecida. Porém, a primeira, em Ré Maior, D. 590, não lhe fica atrás em todos os outros aspetos. Tem início com um Adagio onde dominam os acordes solenes que se tornaram célebres na Abertura da peça teatral Rosamunde, poucos anos mais tarde. Uma curta transição conduz-nos depois a um Allegro giusto. É aí que o estilo italiano vem ao de cimo, com a proeminência melódica, acompanhamentos simples, ritmos incisivos e, como corolário, a inevitável stretta, no Allegro final.

 

Rui Campos Leitão

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