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Rossini e o Clarinete

A fama de Gioachino Rossini sempre se deveu mais às produções de ópera do que às obras instrumentais que também assinou. Faz sentido, por isso, deixar de lado por breves instantes títulos como O barbeiro de Sevilha, A Cinderela ou Guilherme Tell para explorar mais atentamente diferentes repertórios. Podemos começar pela «Introdução, Tema e Variações», uma composição para clarinete e orquestra datada de 1819.

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Gioachino Rossini compôs diversas obras para clarinete e orquestra. São, todavia, tocadas com pouca frequência. Entre elas, há duas que costumam ser confundidas, por terem títulos semelhantes: as «Variações para Clarinete e Orquestra», que datam de 1809, e a «Introdução, Tema e Variações para Clarinete e Orquestra», completada dez anos mais tarde. Tudo o que mais apreciamos no compositor italiano pode reconhecer-se em ambas, em particular o seu extraordinário talento para escrever melodias que agradam imediatamente o ouvido. A espontaneidade e a naturalidade irradiam de tal modo que se torna inevitável sentir desde a primeira audição vontade de cantarolar alguns excertos. Por sinal, esse exercício é aqui ligeiramente facilitado, por se tratar de peças organizadas em forma de Tema com Variações. Quer isto dizer que, com o desenrolar da música, vamos reconhecendo sucessivamente a mesma melodia, ainda que trabalhada de diferentes maneiras. 

A peça «Introdução, Tema e Variações» também é conhecida por A Dama do Lago, uma referência ao facto de o seu tema melódico principal também se ouvir na voz de Malcolm, personagem feminina da ópera com o mesmo título e estreada pela mesma altura, em Nápoles. A agilidade do clarinete, instrumento que na época ainda dava os primeiros passos do seu desenvolvimento técnico, favorece sempre uma disposição jovial, mesmo nos momentos em que aparenta alguma melancolia.

 

Rui Campos Leitão