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Petite Suite de Roussel

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

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O nome de Albert Roussel é relativamente pouco conhecido do grande público. Foi, todavia, um dos compositores mais representativos do panorama musical parisiense no período de transição entre os séculos XIX e XX. O seu catálogo surpreende tanto pela diversidade como pelo modo como a matriz musical conservadora se dispõe ao serviço de uma estética à época considerada moderna. Por essa razão, na sua música transparece uma sensação de estranheza, em resultado do confronto dos recursos mais convencionais, tais como ritmos previsíveis e melodias de contorno clássico, com acordes desconcertantes e efeitos característicos inusitados. Pintam-se paisagens, ora românticas ora afins à azáfama dos novos tempos, mas sempre pela mão segura de quem sabe construir um discurso musical fluente. 

A Petite Suite foi estreada em fevereiro de 1930 por uma orquestra dirigida pelo maestro Walter Straram na qual se reuniam ocasionalmente alguns dos melhores músicos parisienses da época para interpretar repertório contemporâneo, incluindo numerosas estreias mundiais. Consiste em três «quadros» pitorescos. No primeiro, Aubade, destacam-se os sopros madeiras num registo de opereta pleno de humor e ironia. A Pastorale, o andamento mais lento, inicia com um solo de trompa que dá o mote para um ambiente reflexivo, sempre com uma orquestração cuidada assente em dois blocos tímbricos que vincam a separação entre as cordas e os sopros. Por fim, uma Mascarade que se desenvolve num registo burlesco onde se realça pontualmente o diálogo entre os sopros e as percussões.

 

Rui Campos Leitão