Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização de acordo com a nossa Política de cookies.

concordo

Os Concertos para Piano de Chopin

Os concertos para piano de Frédéric Chopin sempre gozaram de grande popularidade. Mas também têm sido objeto de críticas depreciativas. Tais opiniões focam aspetos relacionados com a estrutura formal e a orquestração. Esquecem, todavia, uma componente estética essencial: a performance. Chopin nunca teve interesse pelo aparato orquestral. Preferia afetar intimimamente os ouvintes, com a sua música e a sua presença. Foi um verdadeiro mestre da sedução.

**

Há uma boa razão para evitar a numeração dos dois Concertos para Piano inscritos no catálogo das obras de Chopin. O Concerto em Fá Menor foi tocado no Teatro Nacional de Varsóvia em março de 1830 diante de mais de oitocentas pessoas – foi um sucesso retumbante que, aos vinte anos de idade, lhe valia o reconhecimento público e o título de «Paganini do Piano». Já o Concerto em Mi Menor só foi ali estreado no mês de outubro seguinte, mas seria aquele em que o músico confiou para se dar a conhecer ao mundo. Por critérios comerciais, fê-lo publicar em 1833 em Paris, e só três anos mais tarde o Concerto em Fá Menor. Por isso, foram compostos por ordem cronológica inversa àquela que a numeração sugere. São dois concertos indissociáveis um do outro, mas que seguiram caminhos diferentes; pelo menos numa primeira fase.

Com a composição destas obras, Chopin pretendia lançar a carreira enquanto intérprete/compositor. É por isso que a nossa apreciação não se deve limitar às partituras. Estas não colocam em evidência nem a importância da componente performativa nem o contexto em que a música é partilhada. É bom exemplo disso a sua primeira apresentação pública em Paris, num encontro promovido pelo construtor de pianos Camille Pleyel no distinto salão do hotel Cromot du Bourg em fevereiro de 1832. Tocou à frente de um pequeno ensemble música de Beethoven e o seu próprio Concerto em Mi Menor para centena e meia de pessoas. Chopin preferia ambientes intimistas. Não gostava de tocar para audiências numerosas. A Grande Polonaise Brilhante Op. 22, de 1831, fora por isso a sua última obra com orquestra. Daí em diante dedicou-se, sobretudo, à composição de peças de curta duração para piano solo.

 

Rui Campos Leitão

 

Imagem: Frédéric Chopin em 1833 / retrato de Pierre-Roch Vigneron / Fonte: BNF Gallica