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Nijinski como o fauno, retratado por Léon Bakst | Fonte: Wikimedia Commons

25/02/2020

O Fauno de Nijinski


O Prelúdio à Sesta de um Fauno de Debussy foi estreado a 22 de dezembro de 1894 em Paris, com grande impacto junto do público e da comunidade artística. Já em 1912, o bailarino Vaslav Nijinski propôs-se fazer uma coreografia no Théâtre du Châtelet, com cenário e figurinos de Léon Bakst. Coincidentemente, também esse espetáculo seria percursor, em particular no que respeita à Dança. As primeiras reações centraram-se, todavia, na controvérsia provocada pelas sugestões sexuais explícitas na última cena.

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O fauno era uma divindade romana que habitava o monte Palatino, uma das sete colinas de Roma. Identifica-se como protetor dos pastores, e por isso está associado a Pã, o deus dos pastores na mitologia grega. Alude ao culto da fecundidade, representado por uma figura demoníaca semelhante aos Sátiros, com barbas e pequenos cornos, sempre acompanhado da sua syrinx (flauta de pã), com pés de bode, tronco humano e um apetite sexual insaciável, perseguidor de ninfas.

Na coreografia de Vaslav Nijinsky (1889-1950), inspirada no poema L’après-midi d’un faune de Mallarmé e na música de Debussy, o fauno acorda e lembra o sonho que o levou até junto das ninfas. Toca flauta e vagueia inebriado pelo encantamento erótico que a experiência lhe despertou. O próprio Nijinski interpretava o papel principal. Em cena, representava um estado de delírio sob o calor tórrido daquela tarde, a perplexidade das ninfas e das náiades, uma consumação imaginária do desejo por entre cores difusas e em plena comunhão com a natureza. O fauno contempla sete ninfas, mantendo sempre uma postura relativamente estática e movimentos contidos. O seu desejo floresce quando uma delas se despe para tomar banho num riacho. Excitado pela sua beleza, aproxima-se. Ela termina por se afastar, deixando para trás uma das peças de vestuário que trazia. O Fauno recolhe-se e deleita-se com o objeto de maneira lasciva.

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