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Primeira página do libreto da estreia de «L'elisir d'amore» de G. Donizetti (1832) Fonte: Wikimedia Commons

23/01/2020

O Elixir do Amor


L’elisir d’amore é uma ópera cómica com música de Gaetano Donizetti e libreto de Felici Romani que foi estreada em 1832 no Teatro della Canobbiana, em Milão. Nos anos seguintes percorreu com sucesso outras grandes cidades, tais como Nápoles, Berlim, Londres, Nova Iorque… Essa popularidade manteve-se durante mais de uma década. Atravessou depois um período menos auspicioso até que, à viragem para o século XX, tornou-se recorrente nas programações dos teatros de ópera em todo o mundo – até hoje. O enredo inspira-se na poção mágica de Tristão e Isolda. Porém, em vez da tragédia, envereda pela comédia romântica na exaltação do amor verdadeiro.

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Prática corrente na época, para produzir o libreto de L’elisir d’amore Felici Romani baseou-se num outro que o francês Eugène Scribe havia escrito um ano antes para Le Philtre (A Poção), uma ópera cómica com música de Daniel Auber estreada em Paris. Essa versão original desenrola-se numa pequena vila situada na região francesa do País Basco em finais do século XVIII, mas desta feita a adaptação remete-nos para a região da Toscana. De início, é feita uma alusão explícita à lenda medieval de Tristão e Isolda, a história de um amor dilacerante entre o ventureiro Tristão, cavaleiro da Távola Redonda, e Isolda, princesa do reino da Irlanda. Esse amor, que foi acidentalmente despertado quando ambos beberam uma poção mágica de amor, termina em desgraça. Mas neste caso isso não acontece, ou não se tratasse de comédia. Mantém-se, todavia, como motivo condutor, o efeito (ou não-efeito) de um elixir desencantado vendido por Dulcamara, o feirante charlatão.

A ópera divide-se em dois atos. Tem início na propriedade de Adina, uma donzela bela, inteligente e abastada que recita aos seus trabalhadores a história de Tristão e Isolda. Nemorino, um jovem camponês sem recursos, está por si perdidamente apaixonado e vislumbra naquela narrativa uma solução para a indiferença que ela lhe manifesta. Eis que surge em cena o impulsivo Belcore, um militar graduado que se propõe de imediato casar com Adina. Esta não se sente preparada para responder, e pede tempo para pensar. Nemorino fica desesperado e dirige-se a Dulcamara, pedindo-lhe um elixir que o torne irresistível diante das mulheres. O pedido é satisfeito. Mas o famigerado elixir nada é senão… vinho. Não o sabendo, o agora ébrio Nemorino exibe desmedida confiança. Curiosamente, a imprevidência do seu comportamento precipita o consentimento de Adina dado às intenções de Belcore. Aponta-se o casamento para o mesmo dia. As horas passam, e chegamos ao segundo ato com os aparatos da boda. Entretanto, a agonia de Nemorino permite a Adina entender que, para lá da tosca cortesia, havia nele amor sincero. Belcore impacienta-se com o atraso da cerimónia e, aproveitando-se da ingenuidade do rival, convence-o a alistar-se no seu exército. Nemorino consente, pois consegue assim juntar prontamente o dinheiro que lhe permite comprar mais poção. Pouco tempo depois, espalha-se a conveniente notícia de que Nemorino é herdeiro da fortuna de um tio rico que acaba de falecer. A partir desse momento, ele passa a prender a atenção de todas as jovens da vila. Desconhecendo outra razão, pensa tratar-se do poder do elixir, e Dulcamara bravateia-se. Diante desta situação, e também quando fica a saber que Nemorino se alistara no exército, Adina toma consciência do que sente por ele, comove-se e cai-lhe um lágrima. É então que Nemorino canta «Una furtiva lagrima». Finalmente, Nemorino fica a saber da sua inesperada fortuna, mas sobretudo do amor que Adina tem por si. Precipita-se deste modo o tão esperado final feliz.

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