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Um cravo com dois teclados

27/11/2019

O Concerto para Cravo N.º 3


Ao longo da década de 1730, às sextas-feiras à noite, Johann Sebastian Bach liderava o Collegium Musicum na interpretação das suas composições profanas. Estes concertos aconteciam no Café Zimmermann, um dos oito estabelecimentos especializados naquela bebida que então existiam na cidade de Leipzig. Terá sido aí que foi tocado pela primeira vez o Concerto para Cravo N.º 3.

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O Concerto para Cravo N.º 3 de Johann Sebastian Bach integra o conjunto de seis que o compositor reuniu num único caderno, provavelmente com o intuito de os fazer publicar, muito embora tal não tenha acontecido durante o seu tempo de vida. À semelhança dos restantes, resulta da transcrição de uma obra pré-existente, o Concerto para Violino em Mi Maior, BWV 1042, datado da época em que o compositor esteve ao serviço da corte de Cöthen. A recuperação de partituras anteriores foi, à luz da História, um procedimento duplamente relevante. Por um lado, deu nova vida a composições que estavam votadas ao esquecimento, numa época em que ainda não estava consolidado o conceito de repertório. Por outro, confiou ao cravo a função de solista à frente da orquestra, o que se traduziu no início de uma nova era para a prática dos instrumentos de tecla.

As linhas melódicas originalmente pensadas para o violino mantêm-se quase inteiramente preservadas nesta transcrição. Porém, a qualidade polifónica do cravo acrescenta-lhes uma nova dimensão. No andamento lento apresenta-se uma configuração tipicamente barroca, mas agora com o solista em pleno destaque, sempre suportado pelo desenho da linha de baixo que se repete sucessivamente, à maneira de uma Chaconne. O Finale desenrola-se na forma Rondó, com o recorrente Ritornello alternado com as passagens virtuosísticas do solista. Surpreende-nos aqui um característico padrão rítmico de dança, a Passepied ternária de origem francesa.

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