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Retrato de Stéphane Mallarmé pintado por Édouard Manet em 1876 | Fonte: Wikimedia Commons

26/02/2020

L’après-midi d’un faune


O poema L’après-midi d’un faune de Stéphane Mallarmé desenrola-se em torno da figura de um fauno estendido no chão da floresta e abandonado num encantamento erótico. Adormecido, extasia-se em sonho rodeado de ninfas. As primeiras versões do poema datam de 1865 e 1867, tendo a versão final sido publicada em 1876. Já em 1894, o compositor Claude Debussy recreou esse imaginário numa partitura orquestral sublime.

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O poema bucólico L’après-midi d’un faune de Stéphane Mallarmé representa um marco histórico do simbolismo literário. O foco da narrativa não é a ação, mas sim os estímulos que a rodeiam. Resulta assim numa realidade difusa, mais comprometida com a subjetividade percetiva do que com a representação. Propenso a estados oníricos e contemplativos, deambula por entre sugestões poéticas que transmitem em forma de monólogo os delírios eróticos de um fauno que, ao acordar da sesta, recorda as ninfas que possuiu em sonho.

Mallarmé contava mais 20 anos de idade do que Debussy. Em 1890 propôs-lhe que compusesse a música para uma representação teatral em torno daquela temática. O projeto não chegou a bom termo, mas Debussy completou em 1894 a introdução orquestral – o Prelúdio. Trata-se, portanto, de um momento musical que precederia outros números destinados a acompanhar o decurso cénico. Não apresenta, em virtude disso, um vínculo formal com a estrutura do poema. Relaciona-se explicitamente com a sua ambiência, mas é livre de qualquer constrangimento formal na sua construção. Evoca sensações, estados emocionais, mas não está ao serviço da ilustração de eventos.

O Prelúdio foi a obra em que Debussy «anunciou» um estilo de escrita afim aos novos movimentos estéticos do fin-de-siècle. Logo se percebe que bebe tanto do impressionismo proveniente da pintura como do simbolismo literário. Revela-se eficaz na evocação de sentidos que vão além do telúrico, capaz de fantasiar  narrativas. Por isso, o célebre tema da flauta, que lhe dá início e se repete até à exaustão, representa muito mais do que uma melodia. Substancia-se em enredo dramatúrgico.

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