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W. A. Mozart cerca de 1780 | Fonte: Wikimedia Commons

05/10/2020

Divertimentos de Salzburgo


Wolfgang Amadeus Mozart contava apenas dezasseis anos quando completou os divertimentos que se conhecem hoje pelo nome de Sinfonias de Salzburgo. De humor certeiro, vocacionadas para circunstâncias de entretenimento informais, destaca-se entre elas o KV 136, por se ser tornado uma das páginas mais célebres de todo o repertório clássico.

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Os números do Catálogo Köchel (KV) 136, 137 e 138 também são conhecidos como Sinfonias, Quartetos ou Divertimentos de Salzburgo. Em boa verdade, e apesar da palavra «Divertimento» se poder ler no manuscrito das partituras, não é seguro que tenha sido inscrita pelo compositor. Alegam os especialistas na matéria que, se assim fosse, certamente lhe acrescentaria dois Minuetos em cada umas das peças. Assim, o mais certo é que se tratasse de uma sinfonia, neste caso para as cordas da orquestra. Apesar disto, a música não deixa de evidenciar um caráter ligeiro e bem humorado, o que era particularmente característico de um Divertimento da segunda metade do século XVIII, sempre apropriado para o entretenimento e para o convívio informal. Originalmente, eram peças instrumentais pensadas para serem tocadas em situações sociais privadas. Derivavam de géneros como a serenata, o noturno e a partita. Tinham como propósito, precisamente, entreter as pessoas, quer aqueles que assistiam quer os que tocavam. Por esta razão, eram frequentemente interpretados por músicos amadores, embora também por profissionais. Esta informalidade conduziu a que a designação fosse sendo aplicada a peças de música com características muito diversas. Os editores tinham a liberdade de chamar Divertimento a uma Sonata ou a uma Sinfonia, a fim de melhor colocar a partitura no mercado; e foram muitos os compositores que ao longo dos tempos escreveram obras de grande complexidade e ambição artística, intitulando-as dessa mesma forma.

Os Divertimentos de Salzburgo foram, efetivamente, compostos naquela cidade austríaca no início de 1772, poucas semanas após o regresso de uma viagem que o músico fez a Itália na companhia do pai. Dividem-se todos eles em três andamentos, no formato de uma sinfonia italiana (rápido-lento-rápido). Em particular, o KV 136 é um exemplo típico do estilo clássico vienense, onde coexistem a elegância melódica, o rigor formal, a sobriedade harmónica, passagens virtuosísticas e momentos que evocam o dramatismo operático. Envolto de uma grande «generosidade» melódica, alterna ambientes dramáticos e dolentes com momentos de maior exaltação e ritmos dançáveis.

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