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A Originalidade de Bach *

Hoje em dia, valorizamos muito a originalidade dos artistas. Mas na primeira metade do século XVIII isso não tinha cabimento. A música fazia-se em função de necessidades e situações, quase sempre ao serviço de um patrono. São disso exemplo os concertos para cravo e orquestra de Johann Sebastian Bach. Baseiam-se todos em música pré-existente, mas nem por isso deixam de ser criações musicais que perduram no tempo. O Concerto N.º 5 data de 1738 e tem o número de catálogo BWV 1056. Dividido em três andamentos, resultou parcialmente da adaptação de um concerto para violino. Por sua vez, o andamento central provinha de um concerto para oboé; uma longa melodia cheia de ornamentos. No entendimento de Bach, a suas competências seriam avaliadas de modo igual ao do escultor que trabalha a pedra ou a madeira. O propósito do seu ofício era a consumação do momento em que a música era partilhada ao vivo. Passaram quase trezentos anos, e podemos ouvi-la, assim mesmo, transfigurada no som de um acordeão.

 

Rui Campos Leitão

 

Imagem: Retrato de J. S. Bach, autoria de E. G. Haussmann (1746) | Fonte – Wikimedia Commons