Sinfonia Do Novo Mundo

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Musicália

Sinfonia Do Novo Mundo




Sinfonia Do Novo Mundo
Leoš Janáček cerca de 1881 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Lašsko é uma pequena região situada no nordeste da República Checa, na Morávia-Silésia, de onde Leoš Janáček era natural. Em finais do século XIX integrava o Império Austro-Húngaro e já então se distinguia pela riqueza do seu folclore, em particular no que respeita às danças tradicionais. Numa época em que o Nacionalismo Musical florescia, o compositor que veio mais tarde a assinar a ópera Jenůfa e a Missa Glagolítica compôs uma suíte de danças inspirada nas suas raízes culturais, as Danças de Lašsko.

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Arcangelo Corelli em 1697 | Pintura de Hugh Howard
 

Chamamos Sonatas em Trio às obras de música de câmara do período barroco com três partes instrumentais. Normalmente, apresentam duas vozes solistas sustentadas rítmica e harmonicamente pelo baixo contínuo. Pela depuração da escrita, os quatro livros de sonatas em trio de Corelli, datados de finais do século XVII, tornaram-se numa referência incontornável do género. O terceiro, o Op. 3, ilustra o modelo das sonatas da chiesa, em contraposição ao das sonatas da camera.

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Na vez de «octeto», mais apetece chamar «concerto para oito solistas» ao Deutsch 803 de Franz Schubert, tal é o protagonismo que os diferentes instrumentos assumem alternadamente. Foi escrito em 1824, em resposta à encomenda de um aristocrata de Viena que tocava clarinete. Entende-se, portanto, que este último sobressaia do conjunto em inúmeras ocasiões. Acontece, porém, que o mesmo se verifica no que respeita ao fagote, à trompa ou a cada uma das partes de cordas.

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Antonín Dvořák cerca de 1882 | Fonte: Wikimedia Commons


SINFONIA DO NOVO MUNDO

 

Quando Antonín Dvořák foi viver para Nova Iorque, em 1892, pairava a expectativa de aparecimento de um idioma musical genuinamente americano. Paradoxalmente, o Nacionalismo, enquanto tendência estética que procurava fundamento nos umbigos das diferentes nações, era o movimento artístico mais internacional na derradeira década do século XIX. Só assim se explica que tenha sido possível a um músico imerso na cultura da Boémia – o coração da Europa Central – participar na construção de um paradigma musical para o «Novo Mundo».

 
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    Quanto o compositor checo foi convidado pela fundadora do Conservatório Nacional de Música de Nova Iorque, Jeanette Thurber, para deixar a velha Europa e assumir a direção daquela instituição, tinha cinquenta e um anos de idade e já era uma figura altamente reputada. Partilhava com muitos outros compositores da sua geração o entendimento de que a composição musical deveria ser confluente com a cultura que a rodeava. Este era um desígnio que então ditava moda e assumia-se, inclusivamente, como princípio de legitimação da produção artística. E nem a circunstância de se achar inserido numa sociedade distante impediu Dvořák de prosseguir por esse mesmo caminho. Poucas semanas depois de desembarcar começou a escrever aquela que seria a sua nona sinfonia. Terminou-a no mês de maio do ano seguinte, muito embora tivesse introduzido sucessivas alterações até à data da estreia, que teve lugar em dezembro de 1893 no Carnegie Hall, com o maestro Anton Seidl à frente da Orquestra da Sociedade Filarmónica de Nova Iorque.

 

    A partitura está repleta de melodias autóctones, algumas baseadas em canções escutadas por Dvořák junto de alunos seus, outras inspiradas em referências idealizadas em torno das culturas dos negros e dos índios americanos. São, por isso, recorrentes as escalas pentatónicas e os ritmos sincopados. Ainda assim, tudo o resto – a orquestração, a harmonia, o contraponto...– é, como não poderia deixar de ser, música europeia, na sua essência. Ao longo dos quatro andamentos apresenta um tema melódico que unifica toda a sinfonia, estabelecendo um estrutura cíclica bastante própria da segunda metade do século XIX. As nove notas que são anunciadas pelas trompas, quase de início, ressurgem espaçadamente enquanto elemento agregador. Juntam-se-lhe várias outras melodias que reconhecemos de imediato, tal é a popularidade de que goza hoje em dia esta sinfonia. É uma obra plena de entusiasmo pelo «Novo Mundo», mas que não abdica das referências do passado. É música desperta para uma nova forma de estar, mas que não esquece a tradição centenária de onde provém.

 

 

Festival ao Largo

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

 

Quinta-feira, 12 de julho de 2018, Largo de São Carlos

 

Antonín Dvořák (1841-1904) – Sinfonia N.º 9 em Mi Menor, Op. 95, Do Novo Mundo (1892-93)

 

Direção Musical: Pedro Amaral

 
Aguarela ilustrativa da cena d’A flauta mágica em que Tamino enfrenta a última prova | Max Slevogt (1868–1932) ca. de 1920 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Andante em Dó Maior para flauta e orquestra foi composto durante os quatro meses em que Mozart permaneceu em Mannheim, no decurso da digressão que então fazia por vários países da Europa. Há quem relacione a sua melodia com a cena d’A flauta mágica em que Tamino, acompanhado por Tamina e sob proteção do som da flauta, consegue vencer as provas da água e do fogo.

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P. I. Tchaikovsky (à direita) e o violinista Iosif Kotek, com quem escreveu o Concerto para Violino, em 1878 | Fonte: Wikimedia Commons
 
O CONCERTO PARA VIOLINO DE TCHAIKOVSKY
Para desgosto dos melómanos, Tchaikovsky escreveu um único concerto para violino e orquestra. Nos nossos dias é uma das obras mais apreciadas de todo repertório escrito para este instrumento. Já para os violinistas, representa um desafio monumental, em virtude da necessidade de conciliar tremendas dificuldades técnicas com gestos expressivos de subtil efeito. Não sendo violinista, o compositor russo compôs a obra na companhia de um violinista amigo seu. Ainda assim, a estreia viu-se adiada em virtude de o solista dedicatário a ter considerado intocável.

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«Vista de Paris a partir da Pont neuf» | Pintura de 1763 de Nicolas Jean-Baptiste Raguenet | Fonte: Wikimedia
 
Mozart chegou a Paris na primavera de 1778 e logo se apercebeu de que o ambiente musical havia mudado muito desde que ali estivera doze anos antes, ainda em criança. As elites da sociedade parisiense continuavam a cultivar formatos de convivência sofisticados. Porém, no que respeita à música, haviam passado a preferir o género concertante, no qual dois ou mais solistas recriam entre si atitudes de conversação e simulam uma rivalidade interpretativa. O Concerto para Flauta e Harpa KV 299 veio ao encontro desse gosto.

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