Sinfonia (subjetiva)

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Musicália

Sinfonia (subjetiva)




Sinfonia (subjetiva)

A realizadora Teresa Villaverde
 
O novo filme de Teresa Villaverde resulta de um raro desafio: o de produzir uma obra cinematográfica para ser projetada em simultâneo com a interpretação ao vivo de Six Portraits of Pain, de António Pinho Vargas. Apresenta-se assim reinventada uma das obras mais conhecidas do compositor português. Estreada em 2005, a partitura percorre uma reflexão em torno da melancolia e da angústia no processo de criação artística.

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W. A. Mozart em 1789 | Desenho de Doris Stock | Fonte: Wikimedia Commons

 

Wolfgang Amadeus Mozart compôs quarenta e uma sinfonias. As últimas três foram escritas em Viena no verão de 1788, num período de tempo considerado tremendamente curto, face à qualidade artística e à importância histórica que lhes é hoje reconhecida. Cada uma delas tem uma identidade própria, sendo a N.º 39 a mais discreta. Talvez por isso seja a menos conhecida do grande público. Ainda assim, e apesar de não ostentar a mesma liberalidade expressiva, está longe de se resumir à condição de prólogo numa trilogia prodigiosa.

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António Pinho Vargas | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
SINFONIA (SUBJETIVA)
 
A ocasião da estreia de uma obra musical configura-se, necessariamente, como um momento de expectativa partilhado pelo compositor, intérpretes e público. Mais ainda tratando-se de António Pinho Vargas, uma referência incontornável do panorama cultural e artístico do pós-25 de Abril. Apresenta-se aqui a sua primeira Sinfonia, a qual chamou Subjetiva.
 
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    António Pinho Vargas habituou-nos, ao longo das últimas décadas, a conciliar a mais cuidada produção artística com uma reflexão profunda acerca do enquadramento sociológico e político da criação musical. O seu livro «Música e Poder», publicado em 2011, é leitura obrigatória para quem queira entender o panorama da criação musical erudita contemporânea... e as suas composições também o são. A música, tal como a receção que dela se faz, nunca é neutral na relação com o mundo, mas tem uma dimensão subjetiva sempre presente. A obra estreia, e passa a influir imprevisivelmente no seu entorno, por intermédio de todos nós. O próprio compositor referiu-se a este seu novo trabalho nos seguintes termos:

 

«[…] As obras reclamam os seus títulos. O que escolhi para esta obra é igualmente pouco habitual neste nosso tempo: Sinfonia (subjetiva). Sinfonias contam-se por milhares na história; subjetivas são todas as obras de arte enquanto resultado da acção de um sujeito, enquanto produtos do trabalho humano dos artistas de todas as artes. Nós precisamos de metáforas no nosso trabalho, quer seja um verso de um poeta, um conceito genérico e abstrato como, por exemplo, violência, amor ou ironia (usados nos títulos dos andamentos desta obra), quer seja ainda uma ideia vaga de uma história, de uma narrativa formal ou uma forma.[…]»

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Pedro Amaral

 

António Pinho Vargas Sinfonia (subjetiva)

 

 

 
O compositor António Pinho Vargas e o violoncelista Pavel Gomziakov em dezembro de 2017 no Teatro Thalia |  Foto de Marcelo Albuquerque
 
Six Portraits of Pain, para violoncelo e orquestra, foi estreada em 2005, quando da inauguração da Casa da Música, no Porto. É uma das obras mais elogiadas do extenso catálogo de António Pinho Vargas. Ao longo de quase meia hora, atravessa dimensões sofridas da existência e criatividade humana. Evoca frases de vários escritores e filósofos numa partitura que se oferece às reflexões e ideias do compositor.

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Pormenor da pintura «O baloiço», de Jean-Honoré Fragonard (1767) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Tal como a música, também as palavras se transformam no tempo. Por isso, quando se trata de ouvir aqueles concertos que Antonio Vivaldi reuniu no seu Op. 4, é importante termos presente que o termo «extravagância», deste modo reportado às primeiras décadas do século XVIII, não tinha a significação que lhe conhecemos hoje. São doze concertos para violino e orquestra reunidos numa publicação intitulada «La Stravaganza» e que surpreendem pelos contrastes abruptos entre melodias afáveis e momentos de virtuosismo desenfreado.

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