O Concerto para Violoncelo de Lopes-Graça

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Musicália

O Concerto para Violoncelo de Lopes-Graça




O Concerto para Violoncelo de Lopes-Graça
O compositor Carlos Marecos | Fonte: http://carlosmarecos.wixsite.com/cmmc
 

para orquestra de cordas

«A obra inspira-se na Terra; na Terra como planeta e na terra como superfície, solo, poeira e lama, elemento capaz de acolher e gerar vida. Está dividida em 7 andamentos, onde cada um se apresenta como um quadro relativamente independente, não existindo um desenvolvimento contínuo. Um dos principais desafios foi a criação de diferentes timbres a partir de uma instrumentação de timbre único – a orquestra de cordas. Este facto também me permitiu concentrar na criação de diferentes timbres abstractos, onde o seu conteúdo harmónico é valorizado»

Texto do autor (continua)



Frédéric Chopin tocando no salão dos Radziwiłłs em 1829 (pintura de Henryk Siemiradzki, 1887) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os concertos para piano de Chopin sempre gozaram de grande popularidade. Mas também têm sido objeto de críticas depreciativas. Sobretudo, estas opiniões focam aspetos relacionados com a construção formal e com a orquestração. Alheiam-se, todavia, de algo essencial: o impacto da vertente performativa como conteúdo estético. Chopin nunca quis escrever sinfonias. Quis, porventura, exibir a sua genialidade, mas sobretudo afetar intensamente o ouvinte com a sua presença. Nesse sentido, foi um verdadeiro mestre da Sedução.

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Johannes Brahms em 1876 | Fonte: Wikimedia Commons
 
MÚSICA PURA
A expressão «Música Pura», em si mesma, parece carregada de conotações dúbias. Sugere a existência de uma (outra) música menos casta, herege, ou remete para uma prática artística asséptica, desprovida de entusiasmo e emoções. Ou nada disto. Na segunda metade do século XIX servia para distinguir a ala estética mais conservadora, que incluía Brahms, do estilo progressista da Nova Escola Alemã liderada por Liszt e Wagner. Pura ou não, vale a pena respirar fundo e enfrentar a 1.ª Sinfonia daquele primeiro compositor. Como um verdadeiro exercício de liberdade, qualquer pretexto é bom para «contaminá-la» com os entendimentos da nossa escuta.

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Mstislav Rostropovich em setembro de 1965 | Pormenor de fotografia de Vladimir Akimov | Commons RIA Novosti
 
O CONCERTO PARA VIOLONCELO DE LOPES-GRAÇA
 
De visita a Portugal, em dezembro de 1964, o célebre violoncelista russo Mstislav Rostropovich teve a oportunidade de conhecer Fernando Lopes-Graça. De imediato, e à semelhança do que fez com alguns dos mais destacados compositores do século XX, encomendou-lhe um concerto para violoncelo, o qual veio a estrear em Moscovo 3 anos mais tarde. Composto no período que separou o assassínio de Humberto Delgado pelos agentes da PIDE e a inauguração da ponte sobre o Tejo, as sonoridades sombrias do Concerto da camera col violoncello obbligato parecem dialogar mais estreitamente com o primeiro episódio.
 
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    Nos primeiros anos de carreira, Fernando Lopes-Graça adotou no seu estilo de composição o uso ostensivo de melodias tradicionais, harmonizando-as, modernizando-as à luz de técnicas próprias da música de tradição clássica. Já a partir de meados da década de 1950, buscou novos caminhos que o conduziram por obras tão marcantes no seu legado como As mãos e os frutos, de 1959, e o Canto de amor e de morte, de 1961. Iniciou depois disso uma linha de composição bastante mais complexa e arrojada, em termos quer formais quer expressivos. Os diferentes parâmetros musicais dispuseram-se numa escrita bastante mais densa – para alguns expressionista, para outros modernista, para outros, ainda, tão somente de apreensão menos «acessível». Em todo o caso, reconhece-se aí uma sonoridade absolutamente característica da identidade criativa e intelectual do compositor tomarense. Esta, devidamente valorizada, reserva-lhe um lugar de honra entre as referências obrigatórias da História da Música.

    O Concerto da camera col violoncello obbligato, um verdadeiro Concerto para Violoncelo e Orquestra que se divide em três andamentos, é uma das obras mais representativas deste período. Na sua origem esteve uma encomenda pessoal feita por Mstislav Rostropovich, aquando de uma das suas visitas a Lisboa, em finais de 1964. O célebre violoncelista russo avançou com várias ideias e sugestões, entre as quais a de que pretendia uma orquestração «transparente». A estreia deu-se a 6 de outubro de 1967 na Sala Grande do Conservatório de Moscovo, contando como solista com o próprio Rostropovich, lado a lado com Orquestra Filarmónica de Moscovo sob direção de Kirill Kondrashin. Paradoxalmente, é uma obra que não explora linearmente o virtuosismo do solista, explanando-se numa persistente linha melódica em que o som do violoncelo se difunde por entre as harmonias modais, por vezes atonais, da orquestra. É uma obra com forte caráter reflexivo, melancólica, que nos convida a viajar pelas emoções mais sombrias da década de sessenta em Portugal, e pelo peculiar universo de um dos mais importantes compositores nacionais de sempre.

 

Música na Biblioteca I


Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solista: Nuno Abreu (violoncelo)
Maestro: Amaury du Closel

 

F. Lopes-Graça Concerto de camera col violoncello obbligato, LG 73
K. Weill Sinfonia N.º 2

 

 
 
 
Kurt Weill em 1932 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Poucas semanas depois da subida do Terceiro Reich ao poder, no início de 1933, Kurt Weill viu-se forçado ao exílio na cidade de Paris. Levava então consigo os primeiros esboços de uma obra que terminaria alguns meses mais tarde. Sem dimensão cénica ou recurso vocal, a Segunda Sinfonia revela a faceta mais clássica do autor da música de A Ópera dos Três Vinténs, que fora levada à cena por Bertolt Brecht em 1928.

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Orquestra da Corte de Meininger em 1882, maestro Hans von Bülow | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sinfonias de Johannes Brahms distinguem-se pela combinação virtuosa de um planeamento formal rigoroso com uma expressividade pungente. Provém daqui um efeito atordoante: rasgos de invenção sublimes que despontam de uma aparência previsível e respeitadora das convenções clássicas. Os primeiros e últimos andamentos denotam um labor criativo muito grande e são os pilares que sustentam as obras. Pelo meio, dispõem-se dois andamentos relativamente mais desprendidos que convidam à apreensão espontânea. Em qualquer dos casos, destaca-se uma extraordinária concisão das ideias. Na quarta (e última) sinfonia este desígnio é particularmente bem conseguido.

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Piano Broadwood & Sons de 1827 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando Frédéric Chopin chegou a Paris, em setembro de 1831, já tinha apresentado o Concerto em Mi Menor em Vratislávia, Viena e Munique. Seguiu-se a Salle Pleyel, em fevereiro de 1832, onde a receção foi de tal modo favorável que se abriram as portas dos salões parisienses mais bem frequentados.

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