O Discípulo Beethoven

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Musicália

O Discípulo Beethoven




O Discípulo Beethoven
Uma Harmonie | Gravura de 1752 | Fonte: Europeana Collections
 
Numa altura em que as cordas já se haviam consolidado na prática musical de conjunto, os instrumentos de sopro sofreram ao longo do século XVIII uma evolução que seria determinante para o repertório orquestral. Para tal, muito contribuíram as Harmonie, pequenos agrupamentos de sopros que se tornaram moda a partir das décadas de 1760 e 1770 – também noutras paragens, mas sobretudo em Viena.

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Veneza no início do século XVIII | Pintura de Luca Carlevarijs | Fonte: Wikimedia Commons

 

Os quatro concertos para violino de Antonio Vivaldi conhecidos como As Quatro Estações, inspiram-se nos diferentes cenários que a natureza oferece ao longo do ano. Mais concretamente, baseiam-se em quatro sonetos acerca de experiências de vida que contam já quase três séculos, mas que (por enquanto) continuamos a reconhecer.

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Lago nos jardins do Palácio Real de Aranjuez | Fonte: Wikimedia Commons
 
Esta é a obra mais emblemática do catálogo de Joaquín Rodrigo. Muita embora o compositor nos tenha deixado mais de uma centena e meia de títulos, foi esta a partitura que o deu a conhecer ao mundo e que tanto contribuiu para que lhe esteja reservado um lugar indiscutível no panteão dos grandes compositores do século XX.

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Retrato de Beethoven quando jovem | Carl Traugott Riedel (1769–1832) | Fonte: Wikimedia Commons
 
O DISCÍPULO BEETHOVEN
 
Ludwig van Beethoven conheceu Joseph Haydn em 1790, quando este passou por Bona, a caminho da primeira digressão a Londres. Voltaram a encontrar-se no verão de 1792, na segunda visita do jovem músico a Viena. Nesta ocasião, teve a oportunidade de estudar com o mestre, durante um curto período de tempo. Mostrou-lhe então algumas composições. Entre elas, achava-se o Octeto em Mi Bemol Maior, cuja partitura trouxera consigo de Bona, mas que reviu substancialmente para o efeito.
 

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    As obras para ensemble de sopros de Ludwig van Beethoven foram escritas durante a juventude, quando ainda se encontrava ao serviço do arcebispo e príncipe-eleitor Maximilian Franz, a autoridade máxima na sua cidade natal. Havia aí uma formação instrumental constituída à semelhança daquela que tocava na corte de Viena, o octeto de sopros. O músico terá, portanto, composto o Octeto em Mi Bemol Maior (que designou então como Partita) antes de partir para Viena, em novembro de 1792, quando foi estudar com Joseph Haydn. Já em Viena, terá revisto a partitura com o intuito de mostrar as suas competências ao mestre. Retrabalhou, sobretudo, o Minueto, para lá de ter composto um novo Rondó que, eventualmente, substituiria o quarto andamento original que acabou, afinal, por vingar. Esse Rondó terminou por ser publicado separadamente, já em 1830, com a designação de Rondino (hoje catalogado como WoO 25).

 

    O formato genérico da partitura resulta muito semelhante ao de uma Sinfonia, ou de um Quarteto de Cordas. O primeiro andamento dispõe-se em Forma Sonata. O Andante, com uma estrutura de Canção (ABA), mais parece um dueto, em virtude do diálogo que se estabelece entre o oboé e o fagote. O Minueto é, na realidade, um dos primeiros Scherzos de Beethoven, repleto de contrastes dinâmicos e figurações intrincadas. O Presto, em Forma Sonata-Rondó, ostenta um registo de fanfarra condizente com o género. A versão acabada só foi publicada postumamente, também em 1830, com aquela mesma instrumentação. Em 1796, o próprio compositor havia-a transformado num Quinteto de Cordas (Op. 4) que fez publicar.

 

 

Os Sopros da Metropolitana

 

Sara Dias (oboé), Nuno SilvaJorge Camacho (clarinetes), Lurdes CarneiroRafaela Oliveira (fagotes), Daniel Canas, Jérôme Arnouf (trompas)

Oboé e Direção Musical: Sally Dean

 

W. A. Mozart Serenata N.º 12, em Dó Menor, KV 388

 L. v. Beethoven Octeto em Mi Bemol Maior, Op. 103

 
 
 

   
 

 
      
Viena em 1781 | Pintura de Carl Schütz (1745–1800) | Fonte: Wikimedia Commons
 

SERENATAS E CARTÕES DE VISITA

Em 1781 e 1782, W. A. Mozart escreveu três Serenatas para instrumentos de sopro que se tornaram referência nesta classe de repertório. Na sua perspetiva seriam, todavia, cartões de visita para se dar a conhecer nos salões da aristocracia vienense. Explicam-se, portanto, os cuidados que investiu nestas partituras. A Serenata KV 388 foi composta no verão de 1782. São quatro andamentos de disposição relativamente séria, mais próximos de uma Sinfonia em pequena escala do que de um Divertimento.

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Orquestra da Corte de Meininger em 1882, maestro Hans von Bülow | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sinfonias de Johannes Brahms distinguem-se pela combinação virtuosa de um planeamento formal rigoroso com uma expressividade pungente. Provém daqui um efeito atordoante: rasgos de invenção sublimes que despontam de uma aparência previsível e respeitadora das convenções clássicas. Os primeiros e últimos andamentos denotam um labor criativo muito grande e são os pilares que sustentam as obras. Pelo meio, dispõem-se dois andamentos relativamente mais desprendidos que convidam à apreensão espontânea. Em qualquer dos casos, destaca-se uma extraordinária concisão das ideias. Na quarta (e última) sinfonia este desígnio é particularmente bem conseguido.

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Mapa de bolso da cidade de Londres (1795) | Fonte: Wikimedia Commons
 

Joseph Haydn compôs doze sinfonias que foram estreadas em Londres. Foi, todavia, a N.º 104 que ficou explicitamente conhecida pelo nome da cidade, em virtude de opções editoriais que aludem inscrições na partitura dos sons urbanos que envolviam o King’s Theatre naquela primavera de 1795. Foi a derradeira sinfonia do músico austríaco. Curiosamente, fora também em Londres que W. A. Mozart compusera, aos oito anos de idade, a sua primeira sinfonia, em 1764. 

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