Harmonie

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Musicália

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Retrato de Beethoven quando jovem | Carl Traugott Riedel (1769–1832) | Fonte: Wikimedia Commons
 

O DISCÍPULO BEETHOVEN

Ludwig van Beethoven conheceu Joseph Haydn em 1790, quando este passou por Bona, a caminho da primeira digressão a Londres. Voltaram a encontrar-se no verão de 1792, na segunda visita do jovem músico a Viena. Nesta ocasião, teve a oportunidade de estudar com o mestre, durante um curto período de tempo. Mostrou-lhe então algumas composições. Entre elas, achava-se o Octeto em Mi Bemol Maior, cuja partitura trouxera consigo de Bona, mas que reviu substancialmente para o efeito.

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Veneza no início do século XVIII | Pintura de Luca Carlevarijs | Fonte: Wikimedia Commons

 

Os quatro concertos para violino de Antonio Vivaldi conhecidos como As Quatro Estações, inspiram-se nos diferentes cenários que a natureza oferece ao longo do ano. Mais concretamente, baseiam-se em quatro sonetos acerca de experiências de vida que contam já quase três séculos, mas que (por enquanto) continuamos a reconhecer.

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Lago nos jardins do Palácio Real de Aranjuez | Fonte: Wikimedia Commons
 
Esta é a obra mais emblemática do catálogo de Joaquín Rodrigo. Muita embora o compositor nos tenha deixado mais de uma centena e meia de títulos, foi esta a partitura que o deu a conhecer ao mundo e que tanto contribuiu para que lhe esteja reservado um lugar indiscutível no panteão dos grandes compositores do século XX.

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Uma Harmonie | Gravura de 1752 | Fonte: Europeana Collections
 
HARMONIE
 
Numa altura em que as cordas já se haviam consolidado na prática musical de conjunto, os instrumentos de sopro sofreram ao longo do século XVIII uma evolução que seria determinante para o repertório orquestral. Para tal, muito contribuíram as Harmonie, pequenos agrupamentos de sopros que se tornaram moda a partir das décadas de 1760 e 1770 – também noutras paragens, mas sobretudo em Viena.
 

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    Não eram muitas as casas senhoriais que dispunham de recursos económicos para manter uma orquestra ao serviço. Por essa razão, muitas optaram por uma solução que implicava um número mais reduzido de músicos, mas que cumpria, igualmente, as funções de entretenimento e notabilidade social que se pretendia «entre portas». De início, estas formações juntavam normalmente seis instrumentos. Já no último terço do século XVIII tenderam a normalizar-se no octeto de oboés, clarinetes, fagotes e trompas em combinações par, por vezes com percussões e um instrumento mais grave, para sustentação harmónica. Curiosamente, terá sido a autonomia harmónica desta formação – dispensando o «ultrapassado» Baixo Contínuo – que valeu a designação de Harmonie.

 

    O repertório era variado, podendo chamar-se Partita, Divertimento ou Serenata ao encadeamento das peças que o constituíam, numa indisfarçada semelhança com as suítes instrumentais barrocas. O mais das vezes consistia em transcrições de excertos de óperas. Mas também despertou o interesse de compositores como Haydn, Mozart e Beethoven (mais tarde, Schubert), que fizeram despontar as singularidades tímbricas destes instrumentos numa depuração de escrita sem precedentes, por vezes com assinalável dramatismo.

 

    Em 1782, o Imperador José II instituiu a sua própria Harmonie, formada por músicos do Burgtheater, o teatro de ópera inaugurado em 1741 pela Imperatriz Maria Teresa da Áustria, sua mãe. Coroava-se deste modo uma prática musical de extraordinária riqueza e que marcava presença em contextos tão diversos como o formalismo da corte ou situações de convivência mundanas, por vezes ar livre, e até mesmo no espaço público. Nasceu assim a secção de sopros da orquestra clássica.

 

 

Os Sopros da Metropolitana

 

Sara Dias (oboé), Nuno SilvaJorge Camacho (clarinetes), Lurdes CarneiroRafaela Oliveira (fagotes), Daniel Canas, Jérôme Arnouf (trompas)

Oboé e Direção Musical: Sally Dean

 

W. A. Mozart Serenata N.º 12, em Dó Menor, KV 388

 L. v. Beethoven Octeto em Mi Bemol Maior, Op. 103

 
 
 

   
 

 
      
Viena em 1781 | Pintura de Carl Schütz (1745–1800) | Fonte: Wikimedia Commons
 

SERENATAS E CARTÕES DE VISITA

Em 1781 e 1782, W. A. Mozart escreveu três Serenatas para instrumentos de sopro que se tornaram referência nesta classe de repertório. Na sua perspetiva seriam, todavia, cartões de visita para se dar a conhecer nos salões da aristocracia vienense. Explicam-se, portanto, os cuidados que investiu nestas partituras. A Serenata KV 388 foi composta no verão de 1782. São quatro andamentos de disposição relativamente séria, mais próximos de uma Sinfonia em pequena escala do que de um Divertimento.

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Orquestra da Corte de Meininger em 1882, maestro Hans von Bülow | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sinfonias de Johannes Brahms distinguem-se pela combinação virtuosa de um planeamento formal rigoroso com uma expressividade pungente. Provém daqui um efeito atordoante: rasgos de invenção sublimes que despontam de uma aparência previsível e respeitadora das convenções clássicas. Os primeiros e últimos andamentos denotam um labor criativo muito grande e são os pilares que sustentam as obras. Pelo meio, dispõem-se dois andamentos relativamente mais desprendidos que convidam à apreensão espontânea. Em qualquer dos casos, destaca-se uma extraordinária concisão das ideias. Na quarta (e última) sinfonia este desígnio é particularmente bem conseguido.

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O violoncelista Wilhelm Fitzenhagen (1848-1890) | Fonte: Wikimedia Commons
 
A admiração que Piotr Ilitch Tchaikovsky tinha pela música do passado, em particular do século XVIII, é notória em várias obras que nos deixou. São os casos de alguns excertos da ópera A Rainha de Espadas ou da Suíte Mozartiana. Já anteriormente, em 1877, havia ensaiado exercício semelhante nas Variações sobre um Tema Rococó, uma composição para violoncelo e orquestra que se revelou pioneira do Neoclassicismo.

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