Rebel (Chaos)

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Musicália

Rebel (Chaos)




Rebel (Chaos)
Capa da 1.ª Edição da Segunda Sinfonia de J. Brahms (1878) | Fonte: IMSLP
 
A Segunda Sinfonia de Brahms é bastante mais discreta do que a Primeira. Requer, por isso, um atenção especial. Em muita música alemã da segunda metade do século XIX sente-se a nostalgia provocada por um modelo de criação artística que se esgotava. Em Brahms, todavia, não se vislumbra qualquer laivo de decadência. A destreza técnica e a sobriedade expressiva que se reconhecem neste seu Op. 73 ajudam a explicá-lo. Brahms não ansiava por um lugar na História. Ele interpretava o seu lugar na História. Encarava a Tradição com uma atitude construtiva, sempre buscando novos caminhos e soluções.

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O Lago Wörthersee, Pintura de Marko Pernhart (1824–1871) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Tal como as sinfonias de Beethoven com número par, a Segunda Sinfonia de Brahms é por vezes conotada com um período de relaxamento que o compositor se ofereceu após o esforço gigantesco despendido com a sinfonia anterior. Seria então um exercício de escrita descontraído, porventura menos cuidado, em matéria de composição. Mas esta leitura não resiste, sequer, à primeira audição. Ao cabo de uma dúzia de compassos, logo percebemos que é muito mais do que isso. Com ironia, o próprio compositor chamou-lhe «Sinfonia Feliz». Mas também disse, noutra ocasião, que a partitura deveria ter uma orla negra, tal era a melancolia que a trespassava. Em que ficamos?

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Fonte: www.pxhere.com
 
REBEL (CHAOS)
 
Licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, Bruno Gabirro completou o Mestrado em 2008 na Royal Academy of Music. Foi durante este último período de formação, passado em Londres, que recebeu a encomenda para compor uma obra destinada ao ensemble de cordas Royal Academy Soloists. Nasceu assim a obra Rebel (Chaos), prontamente distinguida com o Premio Eric Coates para Composição.
 

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    Ao longo do último século, a consciência histórica veio acrescentar recursos imensos à criação artística. Estes não se esgotam em motivos de inspiração, ou meras manifestações de reverência para com monumentos do nosso património coletivo. São também uma forma de dialogar com o presente, projetando realidades distantes em pensamento próprio, em compromisso com a urgência da contemporaneidade. Deste mesmo modo, Bruno Gabirro recuou cerca de três séculos para se lançar na composição de Rebel (Chaos). O título reporta a Jean-Féry Rebel, um músico do barroco francês que integrou enquanto violinista Os 24 Violinos do Rei e que se tornaria compositor, mais tarde na vida. Tem como obra mais emblemática Les éléments, uma suíte composta originalmente para ser dançada enquanto divertissement nos intervalos da ópera Cadmus, também da sua autoria. Evocava então «os quatro elementos»: a Terra, a Água, o Fogo e o Ar. Mais tarde, juntou-lhes o «Caos», uma abertura orquestral em que se escuta de início uma colossal dissonância que faz uso do maciço orquestral para protagonizar uma das páginas mais surpreendentes da História da Música. Rebel descreveu-a com as seguintes palavras: «Ousei ligar a ideia da confusão original dos Elementos com a da confusão na Harmonia. Arrisquei uma abertura com todas as notas soando em simultâneo, ou melhor, todas as notas de uma oitava produzindo um único som.» E assim, do Caos, nasceu Rebel (Chaos), para orquestra de cordas.

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Maestro: Pedro Amaral

 

Bruno Gabirro Rebel (Chaos)

 

   
 

 
      
Franz Joseph Haydn | Gravura de Francesco Bartolozzi datada de 1791 | Fonte: BnF Gallica
 

UM VERDADEIRO ACHADO

Em 1961 fez-se uma descoberta extraordinária no Museu Nacional de Praga. Tratava-se da partitura manuscrita do primeiro Concerto para Violoncelo e Orquestra de Joseph Haydn, um obra que permanecera duzentos anos silenciada. Espalhou-se a notícia, e não tardaram as gravações dos mais prestigiados violoncelistas, tais como Jacqueline du Pré ou Mstislav Rostropovich, entre tantos outros. Hoje em dia, é uma obra que se impõe nas programações das salas de concertos de todo o mundo, sempre com a aparente naturalidade do primeiro dia em que foi tocada.

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Olivier Messiaen em 1986 | Fonte: Wikimedia Commons
 
As obras musicais Hommage à Messiaen e Modos de Expressão Ilimitada, respetivamente assinadas por Vasco Pearce de Azevedo e Eurico Carrapatoso, coincidem nalguns aspetos. Ambas estão escritas para orquestra de cordas e prestam tributo a Olivier Messiaen (1908-1992), uma figura pioneira que, de maneira audaz, soube fecundar a criação musical com inspirações improváveis, integrando-as na sua própria linguagem. Os dois compositores portugueses escrevem sobre isso, na primeira pessoa.

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