O Pequeno Príncipe

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Musicália

O Pequeno Príncipe




O Pequeno Príncipe

Sergei Rachmaninov em 1901 | Fonte: Wikimedia Commons

 

O Concerto para Piano N.º 2 de Rachmaninov depara-nos com um dos maiores mistérios da Arte dos Sons. Como é que a Música consegue induzir sentimentos no ouvinte? Que mensagem é essa que se transmite de maneira tão convincente, mas cujo conteúdo não podemos objetivamente decifrar? Apesar de não haver respostas consensuais para estas perguntas, há adjetivos que ecoam sempre em torno desta obra. Fala-se de ambientes sombrios, nostalgia, ansiedade e paixão ardente… de uma teatralização profunda da comoção romântica.

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Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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Silhueta de Robert Schumann 
 
A Sinfonia N.º 2 de Robert Schumann foi durante muito tempo subestimada, no seio do repertório orquestral. Por entre opiniões favoráveis, outras houve que lhe apontaram incoerências formais no primeiro e último andamentos. Com efeito, as expectativas moldadas na tradição clássica não facilitavam a sua aceitação, pois o modo peculiar como Schumann encadeava as ideias desafiava paradigmas. A sua música exige uma escuta liberta de preconceitos, atenta em cada instante a detalhes expressivos que espelham a vida de um artista que compunha como quem escreve um romance, mas sem palavras.

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O PEQUENO PRÍNCIPE

 

Texto do compositor Sérgio Azevedo sobre «O Pequeno Príncipe», com libreto baseado no conto homónimo de Antoine de Saint-Éxupéry, com adaptação livre de António Mega Ferreira. 

 

[Encomenda da AMEC para a Orquestra Juvenil Metropolitana (OJM), 2019.]

 

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O Pequeno Príncipe (2019) é o décimo conto musical para crianças que escrevo desde que, há precisamente 10 anos, estreei a primeira obra deste género. A adaptação de António Mega Ferreira, com quem tive o prazer de trabalhar, condensa o enredo sem perder a poesia terna de Saint-Éxupéry. 

 

Em criança, para além da música, as minhas duas grandes paixões eram os livros e os aviões. Ainda antes de pensar em ser compositor, o meu sonho era voar. Quando descobri a vida e a obra de Saint-Éxupéry, encontrei essas minhas duas paixões condensadas no escritor e piloto aviador francês, cuja vida aventureira e morte misteriosa (só revelada nos últimos anos com a descoberta do seu P-38 ao largo de Marselha) alimentaram romanticamente a minha infância e juventude. Assim, no ano em que fui pai pela primeira vez (aos 50 anos!), o convite da AMEC para musicar O Pequeno Príncipe pareceu algo predestinado.

 

O conto musical é estruturado sobre uma série de temas, dos quais os mais importantes são o tema da alegria de voar (com que começa e termina a peça), o tema do principezinho (quatro acordes misteriosos no vibrafone), o tema do deserto (um tema orientalizante) e o tema da viagem, que ilustra o périplo do nosso herói pelos planetas e até à Terra. 

 

Dedico o conto, evidentemente, ao meu filho Tomás.

 

 

Sérgio Azevedo, 2019

 

 

Histórias da Formiga Rabiga / O Pequeno Príncipe

 

Orquestra Juvenil Metropolitana
Maestro: Élio Leal
Narração: Susana Henriques

 

O Pequeno Príncipe [estreia absoluta / encomenda da Metropolitana]
Música de Sérgio Azevedo
Texto original de Antoine de Saint-Exupéry / Versão livre de António Mega Ferreira

 

Sábado, 4 de maio de 2019, Cineteatro da Academia Almadense (Grande Auditório)

 

Domingo, 5 de maio de 2019, Teatro Thalia

 

Domingo, 26 de maio de 2019, Cinema São Jorge


 

 

 

 
      
A cidade de Veneza cerca de 1750 | Pintura de Francesco Guardi (1712–1793) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nas primeiras décadas do século XVIII, a cidade de Veneza era referência da moda e das artes. Era visitada pelos seus monumentos, teatros e casas de jogo. O turismo era uma atividade económica em expansão, e a música uma das principais atrações. Nesta vertente, para lá das óperas e das celebrações religiosas da Basílica de São Marcos, seria «obrigatória» uma passagem pela pequena igreja do Ospedale della Pietà, onde Antonio Vivaldi se dava a conhecer. Os seus concertos para dois solistas e orquestra permitem imaginar o aparato sonoro e cénico daqueles eventos.

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Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim, numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

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Fotografia Tchaikovsky em Odessa em Janeiro de 1893 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Piotr Ilitch Tchaikovsky dirigiu a estreia da Sinfonia N.º 6 no final de outubro de 1893, em São Petersburgo. Morreu nove dias mais tarde, de maneira inesperada, o que contribuiu para as inúmeras alusões extramusicais que surgiram em torno da obra. Tanto mais porque o próprio compositor admitiu a existência de um conteúdo programático subjacente, muito embora nunca o tenha revelado.

Seria redutor, no entanto, resumi-la a um aceno de despedida por parte de um grande músico que pressentiu a morte, e mais ainda, a uma narrativa musical baseada em angústia criativa ou vivências pessoais sofridas.

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