Harold em Itália

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Musicália

Harold em Itália




Harold em Itália
Silhueta de Robert Schumann 
 
A Sinfonia N.º 2 de Robert Schumann foi durante muito tempo subestimada, no seio do repertório orquestral. Por entre opiniões favoráveis, outras houve que lhe apontaram incoerências formais no primeiro e último andamentos. Com efeito, as expectativas moldadas na tradição clássica não facilitavam a sua aceitação, pois o modo peculiar como Schumann encadeava as ideias desafiava paradigmas. A sua música exige uma escuta liberta de preconceitos, atenta em cada instante a detalhes expressivos que espelham a vida de um artista que compunha como quem escreve um romance, mas sem palavras.

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Etiqueta do disco da primeira gravação comercializada de Rhapsody in Blue (1924) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Rapsódia Americana, foi este o título provisório de Rhapsody in Blue, a obra concertante para piano e orquestra que em 1924 abriu novos caminhos à carreira de George Gershwin e, bem mais importante, também à música estadunidense. Numa época em que o Novo Mundo buscava uma identidade cultural própria, à semelhança do que ocorreu por toda a Europa, o Jazz impôs-se como a mais genuína expressão musical, alastrando-se às rádios, aos discos e às salas de concerto clássicas. Em forma de Rapsódia, e por entre a azáfama dos teatros da Broadway, Gershwin compôs este precioso «caleidoscópio musical da América».

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Fonte: www.pexels.com
 
Krzysztof Penderecki recorre frequentemente à metáfora do labirinto para explicar a natureza do processo criativo. Ao longo da conceção e realização da obra musical, o compositor depara-se com múltiplas possibilidades. As suas escolhas rodeiam-se do sentimento ambíguo de alguém que balança entre a angústia da incerteza e a expectativa confiante de chegar a bom porto, o único possível. Este estado de encantamento, parece também ser uma sugestão certeira para quem ouve o seu Concerto para Violino N.º 2.

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A Peregrinação de Childe Harold | Pintura de Joseph Mallord William Turner (1823) | Fonte: Wikimedia Commons


HAROLD EM ITÁLIA
 

Há grandes diferenças entre o estilo musical de Berlioz e aquele praticado pelos compositores alemães do seu tempo. A clareza das suas orquestrações permite distinguir em cada momento os diferentes timbres instrumentais. Mas também é certo que o compositor francês se deixou fascinar pelos imaginários fantasiosos do primeiro romantismo germânico, tantas vezes contagiado por referências literárias. É o caso de Harold em Itália, uma Sinfonia de 1834 inspirada no poema narrativo de Lord Byron «A Peregrinação de Childe Harold».

 

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    Harold em Itália é uma obra difícil de classificar. É certo que o próprio autor fez questão de a designar como Sinfonia, e que também não escondeu as referências que tomou das sinfonias de Beethoven, em particular da sétima. No entanto, há diversas características que contrariam o modelo clássico, levando-nos a chamar-lhe também Poema Sinfónico, ou Sinfonia Concertante, dada a sua configuração híbrida. O elemento insólito que primeiro se destaca é o protagonismo confiado à viola d’arco, tanto mais por se tratar de um instrumento que não seria a escolha mais óbvia como solista, sequer para um Concerto. Trata-se de uma circunstância que resultou do acaso, mas que se tornou substantiva.

 

    A origem da Sinfonia deve-se a Niccolò Paganini, numa altura em que o violinista virtuoso italiano adquiriu uma viola d’arco Stradivarius e procurava uma peça solo que lhe permitisse dar a conhecer o precioso instrumento. Mas logo a criatividade de Berlioz o desviou para diferentes caminhos, levando-o a dividir o protagonismo entre a viola e a orquestra. Harold em Itália acabou por estrear em novembro de 1834 no Conservatório de Paris, mas sem a presença de Paganini, quem rejeitou inicialmente a partitura por não corresponder àquilo que pretendia. Segundo a autobiografia do compositor, acabaria por elogiá-la, mais tarde, e consentir no pagamento acordado aquando da encomenda.

 

    A viola tornou-se, assim, na representação figurada de Childe Harold, o herói do poema narrativo do escritor Lord Byron «A Peregrinação de Childe Harold», no qual Berlioz se inspirou. Com o seu timbre velado, comporta-se como um sonhador solitário que vagueia pelas paisagens da região italiana de Abruzos, num estilo obviamente romântico. Trata-se, portanto, de uma obra programática, onde a música se apresenta como veículo de uma dramaturgia, ainda que subliminarmente. Se dúvidas houvesse, o compositor atribuiu, em cada um dos quatro andamentos, títulos que sugerem explicitamente a inspiração poética de onde provêm: o primeiro intitula-se «Harold nas montanhas: cenas de melancolia, felicidade e alegria»; o segundo, «Marcha de peregrinos que cantam a oração da tarde»; o terceiro «Serenata de um montanhês de Abruzos à sua amada»; e o quarto, «Orgia de salteadores: recordações das cenas precedentes».

 

    Os românticos franceses identificavam-se muito com o estilo de Lord Byron. No caso de Berlioz, a escolha daquele texto era evidente. Tinha regressado recentemente a Paris, depois de permanecer em Itália pelo período de um ano – condição «imposta» pelo Prix de Rome, ao qual se candidatou e venceu. Pode-se aqui entrever, portanto, referências autobiográficas que refletem as sensações recolhidas pelo próprio músico em terras transalpinas, em particular nas excursões que realizou pelas montanhas dos Apeninos. O livro de Byron acompanhou-o durante essas caminhadas, e acabou por contaminar fecundamente a sua imaginação criativa. Ainda assim, este será um espelho musical que reflete, sobretudo, a consciência de uma «personagem». Não é um relato de experiências de vida.

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solista: Joana Cipriano (viola)

Maestro: Nuno Coelho

 

H. Berlioz Harold em Itália, Op. 16, H. 68

R. Schumann Sinfonia N.º 2, Op. 61

 

Sábado, 25 de maio de 2019, Teatro Thalia

 

 

 
      
Edward Elgar em 1919 | Desenho de William Rothenstein | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1957, escrevia-se na reputada revista Music and Letters que a música de Edward Elgar estava «um pouco fora de moda». Celebrava-se então o centenário do nascimento do compositor inglês. Deste então, essa avaliação perdeu o sentido. Hoje, as suas duas sinfonias, a oratória O sonho de Gerontius, o estudo sinfónico Falstaff e os concertos para violino, são obras de referência no repertório orquestral. Junta-se-lhes ainda o Concerto para Violoncelo, uma composição que neste ano de 2019 celebra, também ela, o seu centenário.

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Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim, numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

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Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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