As Sinfonias de C. P. E. Bach

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Musicália

As Sinfonias de C. P. E. Bach




As Sinfonias de C. P. E. Bach

Sergei Rachmaninov em 1901 | Fonte: Wikimedia Commons

 

O Concerto para Piano N.º 2 de Rachmaninov depara-nos com um dos maiores mistérios da Arte dos Sons. Como é que a Música consegue induzir sentimentos no ouvinte? Que mensagem é essa que se transmite de maneira tão convincente, mas cujo conteúdo não podemos objetivamente decifrar? Apesar de não haver respostas consensuais para estas perguntas, há adjetivos que ecoam sempre em torno desta obra. Fala-se de ambientes sombrios, nostalgia, ansiedade e paixão ardente… de uma teatralização profunda da comoção romântica.

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Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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Silhueta de Robert Schumann 
 
A Sinfonia N.º 2 de Robert Schumann foi durante muito tempo subestimada, no seio do repertório orquestral. Por entre opiniões favoráveis, outras houve que lhe apontaram incoerências formais no primeiro e último andamentos. Com efeito, as expectativas moldadas na tradição clássica não facilitavam a sua aceitação, pois o modo peculiar como Schumann encadeava as ideias desafiava paradigmas. A sua música exige uma escuta liberta de preconceitos, atenta em cada instante a detalhes expressivos que espelham a vida de um artista que compunha como quem escreve um romance, mas sem palavras.

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A cidade de Hamburgo cerca de 1750 | Pintura Anónima | Fonte: Wikimedia Commons


AS SINFONIAS DE C. P. E. BACH

 

Carl Philipp Emanuel Bach foi o segundo filho de Johann Sebastian, e aquele que teve maior sucesso enquanto compositor. Reputado cravista, assinou um número relativamente pequeno de sinfonias, muito embora seja provável que várias se tenham perdido. As primeiras foram compostas em Berlim ao serviço de Frederico o Grande, sendo a mais conhecida a Sinfonia WQ 178. As restantes datam da década de 1770, quando já vivia em Hamburgo. Em particular, aquelas reunidas no caderno WQ 183 antecipam a subjetividade romântica do século XIX.

 

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    Não conhecemos o propósito original das oito sinfonias que C. P. E. Bach compôs em Berlim, mas é provável que tenham sido pela primeira vez tocadas nos salões do Palácio Sanssouci. Ainda em versão para orquestra de cordas, eram muito influenciadas pela Escola de Dresden, e por isso afins à tradição italiana. Dividiam-se nos convencionais três andamentos e os violinos tocavam quase sempre em uníssono, sem nunca dispensar a sustentação do baixo contínuo. A primeira (WQ 173) data de 1741. Entre 1755 e 1758 foram compostas mais seis, entre elas a Sinfonia em Mi Menor (WQ 178). Ainda em Berlim, surgiu uma última sinfonia, já em 1762. Por sinal, a versão com instrumentos de sopro da Sinfonia WQ 178, que veio a ter grande sucesso e a ser publicada, já realça bastante a impetuosidade expressiva, os contrastes dinâmicos abruptos e as combinações instrumentais que vieram a revelar-se como gestos pioneiros.

 

    Em 1768, o músico assumiu o lugar de Diretor Musical de Hamburgo, sucedendo a Telemann. Para trás, ficavam quase três décadas ao serviço da corte prussiana. Contava 54 anos de idade e era um dos mais prestigiados músicos da época. Naquela cidade, onde viveu até ao final da vida, compôs mais dois conjuntos de sinfonias. O primeiro reúne seis sinfonias que também foram originalmente concebidas para orquestra de cordas, muito embora o compositor lhes tenha acrescentado mais tarde os sopros. Trata-se do livro WQ 182, escrito em 1773 por encomenda do Barão Gottfried van Swieten, o embaixador austríaco na corte da Prússia. Já em 1775 e 1776 compôs outras quatro sinfonias, o livro WQ 183. Ao contrário do anterior, este veio a ser publicado, em 1780. Com notável sobriedade e concisão, as sinfonias de Hamburgo acentuam um estilo próprio, com texturas orquestrais mais elaboradas e a progressiva diluição do baixo contínuo. As originais doze partes obbligato do WQ 183 (orquestra com sopros) representam, precisamente, o culminar desta evolução

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solistas: Janete Santos (flauta), Joana Dias (violino)
Maestro: Alfredo Bernardini

 

C. P. E. Bach Sinfonia em Mi Menor, WQ 178, H. 653
C. P. E. Bach Sinfonia em Sol Maior, WQ 183/4, H. 666
C. P. E. Bach Sinfonia em Ré Maior, WQ 183/1, H. 663

 

Sábado, 18 de maio de 2019, Museu do Dinheiro


 

 

 

 
      
A cidade de Veneza cerca de 1750 | Pintura de Francesco Guardi (1712–1793) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nas primeiras décadas do século XVIII, a cidade de Veneza era referência da moda e das artes. Era visitada pelos seus monumentos, teatros e casas de jogo. O turismo era uma atividade económica em expansão, e a música uma das principais atrações. Nesta vertente, para lá das óperas e das celebrações religiosas da Basílica de São Marcos, seria «obrigatória» uma passagem pela pequena igreja do Ospedale della Pietà, onde Antonio Vivaldi se dava a conhecer. Os seus concertos para dois solistas e orquestra permitem imaginar o aparato sonoro e cénico daqueles eventos.

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Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim, numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

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Fotografia Tchaikovsky em Odessa em Janeiro de 1893 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Piotr Ilitch Tchaikovsky dirigiu a estreia da Sinfonia N.º 6 no final de outubro de 1893, em São Petersburgo. Morreu nove dias mais tarde, de maneira inesperada, o que contribuiu para as inúmeras alusões extramusicais que surgiram em torno da obra. Tanto mais porque o próprio compositor admitiu a existência de um conteúdo programático subjacente, muito embora nunca o tenha revelado.

Seria redutor, no entanto, resumi-la a um aceno de despedida por parte de um grande músico que pressentiu a morte, e mais ainda, a uma narrativa musical baseada em angústia criativa ou vivências pessoais sofridas.

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