Os Duplos Concertos de Vivaldi

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Musicália

Os Duplos Concertos de Vivaldi




Os Duplos Concertos de Vivaldi
Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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A Peregrinação de Childe Harold | Pintura de Joseph Mallord William Turner (1823) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Há grandes diferenças entre o estilo musical de Berlioz e aquele praticado pelos compositores alemães do seu tempo. A clareza das suas orquestrações permite distinguir em cada momento os diferentes timbres instrumentais. Mas também é certo que o compositor francês se deixou fascinar pelos imaginários fantasiosos do primeiro romantismo germânico, tantas vezes contagiado por referências literárias. É o caso de Harold em Itália, uma Sinfonia de 1834 inspirada no poema narrativo de Lord Byron «A Peregrinação de Childe Harold».

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Silhueta de Robert Schumann 
 
A Sinfonia N.º 2 de Robert Schumann foi durante muito tempo subestimada, no seio do repertório orquestral. Por entre opiniões favoráveis, outras houve que lhe apontaram incoerências formais no primeiro e último andamentos. Com efeito, as expectativas moldadas na tradição clássica não facilitavam a sua aceitação, pois o modo peculiar como Schumann encadeava as ideias desafiava paradigmas. A sua música exige uma escuta liberta de preconceitos, atenta em cada instante a detalhes expressivos que espelham a vida de um artista que compunha como quem escreve um romance, mas sem palavras.

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A cidade de Veneza cerca de 1750 | Pintura de Francesco Guardi (1712–1793) | Fonte: Wikimedia Commons


OS DUPLOS CONCERTOS DE VIVALDI

 

Nas primeiras décadas do século XVIII, a cidade de Veneza era referência da moda e das artes. Era visitada pelos seus monumentos, teatros e casas de jogo. O turismo era uma atividade económica em expansão, e a música uma das principais atrações. Nesta vertente, para lá das óperas e das celebrações religiosas da Basílica de São Marcos, seria «obrigatória» uma passagem pela pequena igreja do Ospedale della Pietà, onde Antonio Vivaldi se dava a conhecer. Os seus concertos para dois solistas e orquestra permitem imaginar o aparato sonoro e cénico daqueles eventos.

 

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    Antonio Vivaldi compôs cerca de meio milhar de concertos, todos eles com características muito semelhantes. Não são, porém, todos iguais, apesar da ironia de Igor Stravinsky (dizia que o músico veneziano escreveu o mesmo concerto quinhentas vezes). É certo que coincidem na divisão tripartida, numa disposição de andamentos tipo rápido-lento-rápido e no uso ostensivo da Forma Ritornello. Mas uma escuta mais atenta revela detalhes (e diferenças) fascinantes. Os vinte e oito duplos concertos que apareceram a partir de cerca de 1720 destacam deliberadamente duas partes solistas à frente do conjunto orquestral, e revelam uma criatividade surpreendente.

 

    Vivaldi esteve ao serviço do orfanato entre 1703 e 1740, com algumas interrupções. O contrato obrigava-o a escrever dois concertos por mês, normalmente tocados ao domingo, em eventos muito populares e concorridos pelos mais ilustres visitantes da cidade. Eram uma fonte de receita determinante para a susbsistência da instituição. Por isso, tudo o que contribuísse para o espetáculo era valioso; fosse o virtuosismo instrumental, a beleza melódica ou quaisquer aparatos performativos. No caso dos concertos para dois solistas, parece implícito nas partituras que se pretendia explorar o recurso da espacialização sonora. Tal não é de estranhar, já que a igreja estava situada a escassos 500 metros da Basílica de São Marcos onde se ouvia os cori spezzati. O estilo policoral veneziano tivera origem em finais do século XVI e consistia, precisamente, em colocar diferentes coros em locais diferentes, intervindo alternadamente ou em uníssono, de maneira a obter um efeito multifónico. As dimensões da pequena igreja do Ospedale del la Pietà (entretanto demolida) eram bastante mais modestas – aproximadamente dez por vinte metros. Ainda assim, imagina-se possível dispor os músicos de tal modo que se conseguia acrescentar «relevo» cénico ao papel pautado.

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solistas: Janete Santos (flauta), Joana Dias (violino)
Maestro: Alfredo Bernardini

 

A. Vivaldi Concerto para Flauta e Violino em Sol Menor, RV 517 (orig. para 2 violinos)
A. Vivaldi Concerto para Flauta e Violino em Si Bemol Maior, RV 524 (orig. para 2 violinos)
A. Vivaldi Concerto para Flauta e Violino em Si Bemol Maior, RV 514 (orig. para 2 violinos)

 

 

Sábado, 18 de maio de 2019, Museu do Dinheiro


 

 

 

 
      
A cidade de Hamburgo cerca de 1750 | Pintura Anónima | Fonte: Wikimedia Commons
 
Carl Philipp Emanuel Bach foi o segundo filho de Johann Sebastian, e aquele que teve maior sucesso enquanto compositor. Reputado cravista, assinou um número relativamente pequeno de sinfonias, muito embora seja provável que várias se tenham perdido. As primeiras foram compostas em Berlim ao serviço de Frederico o Grande, sendo a mais conhecida a Sinfonia WQ 178. As restantes datam da década de 1770, quando já vivia em Hamburgo. Em particular, aquelas reunidas no caderno WQ 183 antecipam a subjetividade romântica do século XIX.

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Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim, numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

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Fotografia Tchaikovsky em Odessa em Janeiro de 1893 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Piotr Ilitch Tchaikovsky dirigiu a estreia da Sinfonia N.º 6 no final de outubro de 1893, em São Petersburgo. Morreu nove dias mais tarde, de maneira inesperada, o que contribuiu para as inúmeras alusões extramusicais que surgiram em torno da obra. Tanto mais porque o próprio compositor admitiu a existência de um conteúdo programático subjacente, muito embora nunca o tenha revelado.

Seria redutor, no entanto, resumi-la a um aceno de despedida por parte de um grande músico que pressentiu a morte, e mais ainda, a uma narrativa musical baseada em angústia criativa ou vivências pessoais sofridas.

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