A Comoção de Rachmaninov

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Musicália

A Comoção de Rachmaninov




A Comoção de Rachmaninov
Fotografia Tchaikovsky em Odessa em Janeiro de 1893 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Piotr Ilitch Tchaikovsky dirigiu a estreia da Sinfonia N.º 6 no final de outubro de 1893, em São Petersburgo. Morreu nove dias mais tarde, de maneira inesperada, o que contribuiu para as inúmeras alusões extramusicais que surgiram em torno da obra. Tanto mais porque o próprio compositor admitiu a existência de um conteúdo programático subjacente, muito embora nunca o tenha revelado.

Seria redutor, no entanto, resumi-la a um aceno de despedida por parte de um grande músico que pressentiu a morte, e mais ainda, a uma narrativa musical baseada em angústia criativa ou vivências pessoais sofridas.

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Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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A Peregrinação de Childe Harold | Pintura de Joseph Mallord William Turner (1823) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Há grandes diferenças entre o estilo musical de Berlioz e aquele praticado pelos compositores alemães do seu tempo. A clareza das suas orquestrações permite distinguir em cada momento os diferentes timbres instrumentais. Mas também é certo que o compositor francês se deixou fascinar pelos imaginários fantasiosos do primeiro romantismo germânico, tantas vezes contagiado por referências literárias. É o caso de Harold em Itália, uma Sinfonia de 1834 inspirada no poema narrativo de Lord Byron «A Peregrinação de Childe Harold».

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Sergei Rachmaninov em 1901 | Fonte: Wikimedia Commons


A COMOÇÃO DE RACHMANINOV

 

O Concerto para Piano N.º 2 de Rachmaninov depara-nos com um dos maiores mistérios da Arte dos Sons. Como é que a Música consegue induzir sentimentos no ouvinte? Que mensagem é essa que se transmite de maneira tão convincente, mas cujo conteúdo não podemos objetivamente decifrar? Apesar de não haver respostas consensuais para estas perguntas, há adjetivos que ecoam sempre em torno desta obra. Fala-se de ambientes sombrios, nostalgia, ansiedade e paixão ardente… de uma teatralização profunda da comoção romântica.

 

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    Este é um dos mais populares concertos para piano e orquestra algumas vez escritos. Data de 1901 e contribuiu decisivamente para a afirmação da carreira de Sergei Rachmaninov, enquanto compositor e intérprete – um dos maiores pianistas do seu tempo. A história da obra será sempre associada a um episódio desastroso. Enquanto estudante do Conservatório de Moscovo, o músico mereceu distinções relevantes, destacando-se o sucesso que obteve com o Concerto para Piano N.º 1, em 1891. Porém, a sua primeira sinfonia teve uma receção humilhante, aquando da estreia em São Petersburgo, em 1897, o que se deveu em grande parte a uma interpretação incompetente do maestro Alexander Glazunov. Rachmaninov mergulhou então numa crise depressiva, e só três anos mais tarde voltou a compor, após sujeitar-se a uma terapia então denominada «Auto-Sugestiva». O novo concerto foi, por isso, dedicado a Nikolai Dahl, o hipnoterapeuta cujas consultas o músico frequentou a partir de janeiro de 1900 com o intuito de ultrapassar os distúrbios de sono e alimentares, para lá da falta de confiança criativa que também o afligia. Durante algum tempo, terá repetido diariamente uma frase parecida com a seguinte: «Hás-de começar a escrever o teu concerto ... o concerto será extraordinário». E assim aconteceu.

 

    O Concerto para Piano N.º 2, concluído em abril do ano seguinte, foi recebido com tal entusiasmo que logo se tornou num dos seus principais trunfos nas digressões que o levaram mundo fora. Por sinal, uma das suas características mais notáveis resulta da dimensão performativa que se esconde nas gravações, essa combinação perfeita entre o envolvimento físico do pianista virtuoso e a imaginação fecunda de um compositor invulgarmente dotado. Sob uma aura de aparente facilidade, e por entre melodias de enorme beleza, discorrem planos sonoros simultâneos e subtis gradações das intensidades sonoras que exigem tudo ao intérprete. Ainda assim, a notoriedade desta obra transcende amplamente as salas de concerto, demonstrando um invulgar poder de afetação emocional, independentemente do meio pelo qual se difunde. Não é casual a sua presença frequente em bandas sonoras de filmes, em particular nos momentos que antecedem o deleite amoroso, ou naqueles que resultam do amor frustrado. Lembramos assim os filmes «O Pecado mora ao lado» (1955), com a memorável Marilyn Monroe, ou o mais recente «Outra vida» (2010), de Clint Eastwood. E se nos restringirmos ainda mais, neste caso ao simples parâmetro melódico, podemos ainda lembrar algumas canções celebrizadas por Frank Sinatra, tais como «I Think of You», «Ever and Forever» ou «Full Moon and Empty Arms».

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solista: António Rosado (piano)
Maestro: Mykola Dyadyura

 

Sergei Rachmaninov Concerto para Piano N.º 2, Op. 18

 

Sexta-feira, 10 de maio de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

Sábado, 11 de maio de 2019, Cineteatro da Academia Almadense (Grande Auditório)

 

Domingo, 12 de maio de 2019, Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

 


 

 

 

 
      

Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim, numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

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A cidade de Hamburgo cerca de 1750 | Pintura Anónima | Fonte: Wikimedia Commons
 
Carl Philipp Emanuel Bach foi o segundo filho de Johann Sebastian, e aquele que teve maior sucesso enquanto compositor. Reputado cravista, assinou um número relativamente pequeno de sinfonias, muito embora seja provável que várias se tenham perdido. As primeiras foram compostas em Berlim ao serviço de Frederico o Grande, sendo a mais conhecida a Sinfonia WQ 178. As restantes datam da década de 1770, quando já vivia em Hamburgo. Em particular, aquelas reunidas no caderno WQ 183 antecipam a subjetividade romântica do século XIX.

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Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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