Música Com Cinema

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Música Com Cinema

António Pinho Vargas | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
A ocasião da estreia de uma obra musical configura-se, necessariamente, como um momento de expectativa partilhado pelo compositor, intérpretes e público. Mais ainda tratando-se de António Pinho Vargas, uma referência incontornável do panorama cultural e artístico do pós-25 de Abril. Apresenta-se aqui a sua primeira Sinfonia, a qual chamou Subjetiva.

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Pormenor da pintura «O baloiço», de Jean-Honoré Fragonard (1767) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Tal como a música, também as palavras se transformam no tempo. Por isso, quando se trata de ouvir aqueles concertos que Antonio Vivaldi reuniu no seu Op. 4, é importante termos presente que o termo «extravagância», deste modo reportado às primeiras décadas do século XVIII, não tinha a significação que lhe conhecemos hoje. São doze concertos para violino e orquestra reunidos numa publicação intitulada «La Stravaganza» e que surpreendem pelos contrastes abruptos entre melodias afáveis e momentos de virtuosismo desenfreado.

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«Schubertíada», pintura de Julius Schmid datada de 1896 | Fonte: Wikimedia Commons
 

Às reuniões de convivência que ocorriam no círculo de relações sociais de Franz Schubert, chamamos «Schubertíadas». Estes eventos, patrocinados por personalidades que amparavam financeiramente o músico, tornaram-se numa verdadeira instituição na década de 1820, estendendo-se então a vários salões da cidade de Viena. Um dos principais motivos de interesse seriam, naturalmente, as canções, as obras de câmara e as peças para piano solo do compositor austríaco. Mas havia muito mais.

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A realizadora Teresa Villaverde
 
MÚSICA COM CINEMA
 
O novo filme de Teresa Villaverde resulta de um raro desafio: o de produzir uma obra cinematográfica para ser projetada em simultâneo com a interpretação ao vivo de Six Portraits of Pain, de António Pinho Vargas. Apresenta-se assim reinventada uma das obras mais conhecidas do compositor português. Estreada em 2005, a partitura percorre uma reflexão em torno da melancolia e da angústia no processo de criação artística.
 
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    A Música e o Cinema tiveram origens distintas. A primeira, ancestral, nasceu com o Homem e evoluiu conforme as civilizações e a consciência íntima dos indivíduos. A segunda, muito recente, resultou do engenho técnico e do fascínio pela representação da imagem. Ainda assim, cedo as duas artes se juntaram. Primeiro com música tocada ao vivo e, no final da década de 1920 com a banda sonora. Desde então, muita música se fez para cinema. Menos frequente, vários filmes se moldaram em música pré-existente. É o caso do filme que a realizadora Teresa Villaverde agora estreia, e ao qual se referiu nos seguintes termos:

 

«A música faz muitas vezes parte do cinema, mas o cinema não faz parte da música. A música só deve fazer parte do cinema quando o cinema precisa dela, quando lhe faz falta. A música não precisa das imagens do cinema, nunca. Música e cinema podem trabalhar em conjunto, de raiz, não será o caso aqui. Mesmo de olhos fisicamente abertos a música cega-nos, levando-nos para outros lugares que não pertencem nem ao mundo das imagens, nem das palavras. O trabalho que vou apresentar tem essa consciência, essa humildade, mas tem que saber ultrapassar essas dificuldades. Será um trabalho quase de transe, uma apresentação de imagens cegas, vindas de um lugar de mistério.

Pinho Vargas dá um título poderoso a esta sua obra, usa a sua própria voz num momento em que nos lembra o Requiem de Anna Akhmatova. Na sua partitura usa frases de Deleuze sobre Spinoza, frases de Thomas Bernhard, versos de Manuel Gusmão, de Paul Celan. Pistas?»

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Solista: Pavel Gomziakov (violoncelo)
Maestro: Pedro Amaral

 

António Pinho Vargas Six Portraits of Pain

 

 

 
O compositor António Pinho Vargas e o violoncelista Pavel Gomziakov em dezembro de 2017 no Teatro Thalia |  Foto de Marcelo Albuquerque
 
Six Portraits of Pain, para violoncelo e orquestra, foi estreada em 2005, quando da inauguração da Casa da Música, no Porto. É uma das obras mais elogiadas do extenso catálogo de António Pinho Vargas. Ao longo de quase meia hora, atravessa dimensões sofridas da existência e criatividade humana. Evoca frases de vários escritores e filósofos numa partitura que se oferece às reflexões e ideias do compositor.

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Franz Schubert em 1821 | Pormenor de um desenho de Leopold Kupelwieser | Fonte: BnF Gallica

 

Há algo na música de câmara de F. Schubert que convida a sonhar. Por vezes, são sonhos turbulentos, deambulações difusas nas margens do inconsciente, vagas de estranheza que sugerem pesadelos. Noutras, paira a despreocupação, o devaneio. Em qualquer dos casos, seja a afetação expressiva ou essa aparente diletância, certo é que o compositor austríaco nunca foi um estratego do calibre de L. v. Beethoven. Schubert buscava diferentes encantos, como o comprovam o Trio com Piano D. 898 e o Quinteto de Cordas D. 956, ambos compostos em 1828, nos derradeiros meses da sua vida.

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W. A. Mozart em 1789 | Desenho de Doris Stock | Fonte: Wikimedia Commons

 

Wolfgang Amadeus Mozart compôs quarenta e uma sinfonias. As últimas três foram escritas em Viena no verão de 1788, num período de tempo considerado tremendamente curto, face à qualidade artística e à importância histórica que lhes é hoje reconhecida. Cada uma delas tem uma identidade própria, sendo a N.º 39 a mais discreta. Talvez por isso seja a menos conhecida do grande público. Ainda assim, e apesar de não ostentar a mesma liberalidade expressiva, está longe de se resumir à condição de prólogo numa trilogia prodigiosa.

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