A Serenata Incompleta

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Musicália

A Serenata Incompleta




A Serenata Incompleta


 

Albert Roussel em 1923 | Fonte: BnF Gallica
 

PETITE SUITE

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

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Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot
 
Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Krzysztof Penderecki em 1993 | Fotografia de Krzysztof Wójcik | Fonte: Wikimedia Commons

 

A SERENATA INCOMPLETA

 

As duas peças que se juntam na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki (Passacaglia e Larghetto) tiveram origem em momentos distintos. A primeira foi composta em 1996, a segunda no ano seguinte. Foram estreadas nas respetivas edições do Festival de Cordas de Lucerna, na Suíça. Mais recentemente, o compositor terá tido a intenção de acrescentar outras duas peças – no início e no final –, indo assim ao encontro da configuração da célebre Serenata para Cordas de Tchaikovsky. Porém, o compositor polaco reserva-nos, por ora, a expectativa de uma suspensão que se consome em silêncio.

 

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        A palavra «Serenata» provém do latim, «Serenus», que significa «Serenidade». No âmbito da música foi apropriada, ao longo dos tempos, para estilos e géneros muito diversos: desde a canção de galanteio dirigida à pessoa amada, passando pelas serenatas de entretenimento tocadas nos convívios aristocráticos do século XVIII, até à maior sofisticação das Serenatas de Dvořák, Elgar, R. Strauss e tantos outros. Em qualquer destes casos o espírito sereno prevalece. E o mesmo acontece na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki. Neste caso, distingue-se uma síntese entre a inspiração romântica e a sonoridade pós-modernista pela qual o músico polaco enveredou nos anos 1970.

 

    Tal como acontece nas Suítes e nos Divertimentos, também as Serenatas se compõem de peças relativamente independentes, muitas vezes contrastantes entre si. Neste caso, distingue-se o confronto entre a característica obstinação de uma Passacaglia e o registo dolente de um Larghetto. A primeira mimetiza o efeito de um eco que se transmite num espaço amplo. As cordas emitem motivos curtos, e são respondidas de forma quase mecânica. Depois disso, o Larghetto explora transformações graduais da textura sonora dos instrumentos, numa escrita contrapontística que se desenha como um arco em ambiente soturno, mas com paragem num clímax expressivo de belo efeito. A melodia principal que aqui se ouve é recuperada da secção Et incarnatus est da obra Credo que o compositor compôs naquela mesma altura.

 

Orquestra Académica Metropolitana

Direção Musical: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

Joseph Haydn – Sinfonia N.º 45, Sinfonia do Adeus

 

Sexta-feira, 15 de março de 2019, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

 

Sábado, 16 de março de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 
 

 
      
Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão
 
Joseph Haydn compôs mais de cem sinfonias. A N.º 45 foi composta em 1772 e é conhecida como Sinfonia do Adeus, o que se deve ao Adagio que interrompe inesperadamente o último andamento. Este, numa abordagem mais distraída, quase parece ser uma peça autónoma. Mas não o é. Culmina um trajeto cuidadosamente planeado que nos conduz, num plano global, da instabilidade ao repouso, da fúria à extinção, do «mais» ao «menos», com inúmeros apontamentos de perplexidade e hesitação pelo meio.

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O compositor Pedro Amaral | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
Por encomenda da Casa da Música, Pedro Amaral fez estrear em março de 2013 a obra Deux Portraits Imaginaires, na interpretação do Remix Ensemble. Com origem no projeto de uma ópera baseada no imaginário poético de Fernando Pessoa, derivou numa partitura para ensemble orquestral com piano. Aí, as figuras de Fausto e Maria são postas em diálogo por intermédio de texturas sonoras diversas que alternam solos instrumentais eloquentes com malhas sonoras lacerantes, mas sempre ostentando a essência dramática de onde provêm. O compositor apresentou este seu trabalho nos seguintes termos.

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O compositor António Pinho Vargas e o violoncelista Pavel Gomziakov em dezembro de 2017 no Teatro Thalia |  Foto de Marcelo Albuquerque
 
Six Portraits of Pain, para violoncelo e orquestra, foi estreada em 2005, quando da inauguração da Casa da Música, no Porto. É uma das obras mais elogiadas do extenso catálogo de António Pinho Vargas. Ao longo de quase meia hora, atravessa dimensões sofridas da existência e criatividade humana. Evoca frases de vários escritores e filósofos numa partitura que se oferece às reflexões e ideias do compositor.

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