Petite Suite

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Musicália

Petite Suite




Petite Suite


 

Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot
 
Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

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Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão
 
Joseph Haydn compôs mais de cem sinfonias. A N.º 45 foi composta em 1772 e é conhecida como Sinfonia do Adeus, o que se deve ao Adagio que interrompe inesperadamente o último andamento. Este, numa abordagem mais distraída, quase parece ser uma peça autónoma. Mas não o é. Culmina um trajeto cuidadosamente planeado que nos conduz, num plano global, da instabilidade ao repouso, da fúria à extinção, do «mais» ao «menos», com inúmeros apontamentos de perplexidade e hesitação pelo meio.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Albert Roussel em 1923 | Fonte: BnF Gallica

 

PETITE SUITE

 

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

 

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    Albert Roussel é um nome relativamente pouco conhecido do grande público. Foi, todavia, um dos compositores mais representativos do panorama musical parisiense no período de transição entre os séculos XIX e XX. O seu catálogo surpreende tanto pela diversidade como pelo modo como a matriz musical conservadora se dispõe ao serviço de uma estética à época considerada moderna. Por essa razão, na sua música transparece uma sensação de estranheza, em resultado do confronto dos recursos mais convencionais, tais como ritmos previsíveis e melodias de contorno clássico, com acordes desconcertantes e efeitos característicos inusitados. Pintam-se paisagens, ora românticas ora afins à azáfama dos novos tempos, mas sempre pela mão segura de quem sabe construir um discurso musical fluente.

 

    A Petite Suite foi estreada em fevereiro de 1930 por uma orquestra dirigida pelo maestro Walter Straram na qual se reuniam ocasionalmente alguns dos melhores músicos parisienses da época para interpretar repertório contemporâneo, incluindo numerosas estreias mundiais. Consiste em três «quadros» pitorescos. No primeiro, Aubade, destacam-se os sopros madeiras num registo de opereta pleno de humor e ironia. A Pastorale, o andamento mais lento, inicia com um solo de trompa que dá o mote para um ambiente reflexivo, sempre com uma orquestração cuidada assente em dois blocos tímbricos que vincam a separação entre as cordas e os sopros. Por fim, uma Mascarade que se desenvolve num registo burlesco onde se realça pontualmente o diálogo entre os sopros e as percussões.

 

Orquestra Académica Metropolitana

Direção Musical: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

Joseph Haydn – Sinfonia N.º 45, Sinfonia do Adeus

 

Sexta-feira, 15 de março de 2019, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

Sábado, 16 de março de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 
 

 
      
Krzysztof Penderecki em 1993 | Fotografia de Krzysztof Wójcik | Fonte: Wikimedia Commons
 
As duas peças que se juntam na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki (Passacaglia e Larghetto) tiveram origem em momentos distintos. A primeira foi composta em 1996, a segunda no ano seguinte. Foram estreadas nas respetivas edições do Festival de Cordas de Lucerna, na Suíça. Mais recentemente, o compositor terá tido a intenção de acrescentar outras duas peças – no início e no final –, indo assim ao encontro da configuração da célebre Serenata para Cordas de Tchaikovsky. Porém, o compositor polaco reserva-nos, por ora, a expectativa de uma suspensão que se consome em silêncio.

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O compositor Pedro Amaral | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
Por encomenda da Casa da Música, Pedro Amaral fez estrear em março de 2013 a obra Deux Portraits Imaginaires, na interpretação do Remix Ensemble. Com origem no projeto de uma ópera baseada no imaginário poético de Fernando Pessoa, derivou numa partitura para ensemble orquestral com piano. Aí, as figuras de Fausto e Maria são postas em diálogo por intermédio de texturas sonoras diversas que alternam solos instrumentais eloquentes com malhas sonoras lacerantes, mas sempre ostentando a essência dramática de onde provêm. O compositor apresentou este seu trabalho nos seguintes termos.

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A realizadora Teresa Villaverde
 
O novo filme de Teresa Villaverde resulta de um raro desafio: o de produzir uma obra cinematográfica para ser projetada em simultâneo com a interpretação ao vivo de Six Portraits of Pain, de António Pinho Vargas. Apresenta-se assim reinventada uma das obras mais conhecidas do compositor português. Estreada em 2005, a partitura percorre uma reflexão em torno da melancolia e da angústia no processo de criação artística.

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