Ouvir a Sinfonia do Adeus

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Musicália

Ouvir a Sinfonia do Adeus




Ouvir a Sinfonia do Adeus


 

Albert Roussel em 1923 | Fonte: BnF Gallica
 

PETITE SUITE

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

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Krzysztof Penderecki em 1993 | Fotografia de Krzysztof Wójcik | Fonte: Wikimedia Commons
 
As duas peças que se juntam na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki (Passacaglia e Larghetto) tiveram origem em momentos distintos. A primeira foi composta em 1996, a segunda no ano seguinte. Foram estreadas nas respetivas edições do Festival de Cordas de Lucerna, na Suíça. Mais recentemente, o compositor terá tido a intenção de acrescentar outras duas peças – no início e no final –, indo assim ao encontro da configuração da célebre Serenata para Cordas de Tchaikovsky. Porém, o compositor polaco reserva-nos, por ora, a expectativa de uma suspensão que se consome em silêncio.

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Gustav Mahler em 1898 / Fonte: Wikimedia Commons
 

A QUARTA DE MAHLER

A Quarta Sinfonia de Gustav Mahler anuncia o período de maturidade do compositor. Não se pode dissociá-la das sinfonias anteriores, mas distingue-se em múltiplos aspetos.

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A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.

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O compositor Beat Furrer | Foto de David Furrer (2014)

 
 
As ideias apresentam-se muitas vezes por intermédio do recurso às imagens. Uma vez aí chegados, essa abstração visual pode transcender a uma dimensão sonora absolutamente indizível. Parece ter sido esse passo além que Beat Furrer, compositor suíço radicado na Áustria há longos anos, deu na obra intitulada «Nero su Nero» («Preto Sobre Preto»), a qual fez estrear na Konzerthaus de Viena em junho do ano passado. Trata-se de uma partitura orquestral que se aventura por entre as ténues gradações da cor preta, com um estilo de escrita mergulhado em sugestões de movimento difusas, delicado e eminentemente sensorial.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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OUVIR (em baixo) OS 4 ANDAMENTOS DA

SINFONIA DO ADEUS

 

Joseph Haydn compôs mais de cem sinfonias. A N.º 45 foi composta em 1772 e é conhecida como Sinfonia do Adeus, o que se deve ao Adagio que interrompe inesperadamente o último andamento. Este, numa abordagem mais distraída, quase parece ser uma peça autónoma. Mas não o é. Culmina um trajeto cuidadosamente planeado que nos conduz, num plano global, da instabilidade ao repouso, da fúria à extinção, do «mais» ao «menos», com inúmeros apontamentos de perplexidade e hesitação pelo meio.

 

 

Joseph Haydn – Sinfonia N.º 45, Sinfonia do Adeus (1772)

Duração total aproximada 27 minutos

Instrumentação: Cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos), 2 oboés e 2 trompas

 

   I. Allegro assai [ca. 5’]

   II. Adagio [ca. 10’]

   III. Minueto: Allegretto [ca. 4’]

   IV. Finale: Presto - Adagio [ca. 8’]

 

    Um dos aspetos que mais contribui para o caráter progressivo desta sinfonia é o trabalho desenvolvido sobre os diferentes temas melódicos e rítmicos, a maneira como estes se relacionam entre si, como são recreados em sucessivas variações que conferem unidade a uma partitura que nunca deixa, no entanto, de surpreender. Com efeito, diante de um início de tal modo arrebatador, nunca se adivinharia um Final que se extingue num sorriso. Há, portanto, muitos mais motivos de interesse nesta sinfonia para lá da insólita (e teatral) retirada dos músicos enquanto decorrem os últimos compassos.

 

 

 



1.º Andamento – Allegro assai

 

    Começa de maneira exaltante, com uma precipitação melódica que parece evitar obsessivamente frases com princípio, meio e fim. Atropelam-se motivos extremamente curtos, ritmos convulsivos, quase mecânicos. Tudo parece apontar a eminência da derrocada. Só ao fim de cerca de três minutos, num pequeno interlúdio, se reconhece uma melodia com contornos relativamente mais amplos. Tal exuberância era rara na época em que foi composta. Deste modo, é precursora da afetação romântica do século XIX, pela maneira como enreda a exuberância barroca – mais estática, por natureza – num discurso fluente e formalmente articulado.

 

Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão

 

 

 



2.º Andamento – Adagio

 

    O segundo andamento também se estrutura na Forma Sonata, curiosamente de maneira bastante mais percetível do que no primeiro andamento. Quer isto dizer que, tocado sem interrupções, organiza-se em três secções internas: Exposição, Desenvolvimento e Reexposição. Apesar de se tratar de um andamento lento, distingue-se pela importância confiada à vertente rítmica. Assiste-se à prevalência de acentuações que, em contratempos, instalam uma sensação de hesitação permanente. Destaca-se ainda a curiosidade de os violinos tocarem aqui com a surdina, esse pequeno dispositivo que se coloca sobre as cordas, junto ao cavalete, de maneira a obter uma sonoridade mais velada.

 

Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão

 

 

 



3.º Andamento – Minueto

 

    Já no terceiro andamento, e apesar do caráter galante do Minueto, com a sua característica métrica ternária, tem-se uma sensação de inquietude difícil de explicar. Em boa parte, essa impressão resulta da circunstância de o compositor evitar permanentemente um desfecho conclusivo das frases, mantendo o ouvinte sempre suspenso na expectativa de pontuações convincentes, as quais nunca chegam. As trompas destacam-se na secção central, a que chamamos Trio.

 

Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão

 

 

 



4.º Andamento – Finale: Presto - Adagio

 

    No quarto andamento são recuperadas ideias melódicas e rítmicas que se ouviram anteriormente. Divide-se em duas partes: um Presto e um Adagio. De certo modo, parece que o compositor propõe ao ouvinte dois finais alternativos. Se o Presto rematasse com uma cadência conclusiva, a obra poderia terminar ali mesmo. Todavia, nesse instante interpõe-se um silêncio e, tal como um «corpo estranho», tem início uma secção lenta. Este Adagio tem a singular característica de diminuir progressivamente a intensidade sonora, em virtude da sucessiva retirada dos instrumentos. Saem primeiro os sopros, um oboé e uma trompa de cada vez. Depois as cordas, percorrendo os diferentes naipes, até à extinção absoluta. É o oposto do final retumbante que se esperaria de uma sinfonia nesta época.

 

Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão

 

 

Orquestra Académica Metropolitana

Direção Musical: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

Joseph Haydn – Sinfonia N.º 45, Sinfonia do Adeus

 

Sexta-feira, 15 de março de 2019, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

 

Sábado, 16 de março de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 
 
 

 
      
Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot
 
Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

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O compositor Pedro Amaral | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
Por encomenda da Casa da Música, Pedro Amaral fez estrear em março de 2013 a obra Deux Portraits Imaginaires, na interpretação do Remix Ensemble. Com origem no projeto de uma ópera baseada no imaginário poético de Fernando Pessoa, derivou numa partitura para ensemble orquestral com piano. Aí, as figuras de Fausto e Maria são postas em diálogo por intermédio de texturas sonoras diversas que alternam solos instrumentais eloquentes com malhas sonoras lacerantes, mas sempre ostentando a essência dramática de onde provêm. O compositor apresentou este seu trabalho nos seguintes termos.

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A propósito da Sinfonia N.º 4, Mahler escreveu: «Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra.»

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Ilustração de uma cena do 4.º ato de Macbeth | Pintura de Henry Fuseli (1793) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Na segunda metade da carreira, Richard Strauss viu a sua reputação ser associada a um romantismo ultrapassado e decadente. Mas antes disso, tinha-se distinguido com um estilo de escrita orquestral vigoroso e dilacerante, inspirado em compositores como Wagner e Liszt, nos domínios da Ópera e do Poema Sinfónico. Neste último género, Macbeth foi ponto de partida. Composto entre 1886 e 1888, pode entender-se como manifesto de emancipação relativamente à tradição mais conservadora do século XIX.

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Paisagem com ribeiro, pintura de Zdenka Braunerová (1858–1934) | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sonoridades rústicas da Sinfonia N.º 8 de Dvořák assentam em intervenções instrumentais características, padrões rítmicos simples e dançáveis, uma fluência melódica invulgar e uma disposição bem humorada que não disfarça a utilização de recursos eminentemente teatrais. Esta aparência espontânea distingue-se do rigor formal da sinfonia anterior, dando azo a comparações com o pendor bucólico da segunda sinfonia de Brahms e da quarta de Mahler. Junta-se aqui Beethoven ao cenário, e poderíamos chamar-lhe a Sinfonia Pastoral do músico checo.

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Pôr-do-sol | Fonte: www.pxhere.com
 
Richard Strauss compôs mais de duzentas. Ao fim das «Quatro Últimas Canções» conseguiu um silêncio e uma serenidade de encher o peito. Foi em 1948, aos 84 anos de idade, que completou este breve ciclo temático onde enfrentou com despudor o assunto da Morte, evocando-a na sua expressão mais sublime, como estágio da existência propício a uma reflexão contemplativa sobre a própria Vida. A entoação dolente da voz soprano deseja com ardor o retorno da primavera. Projeta a fadiga e o descanso na descrição de um jardim outonal. Mergulha num sono eterno e livre, diante de um céu que escurece. Diz adeus às cotovias e ao perfume do ar, numa paz profunda e tranquila.

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